Desemprego aumentou para níveis da pandemia, salários estagnaram

11 de maio 2023 - 12:00

A taxa de desemprego no primeiro trimestre do ano subiu para 7,2%, o nível mais alto desde o fim de 2020. A precariedade alastrou e a destruição de emprego qualificado foi a maior desde 2011, o que contribuiu para a estagnação do salário médio face ao início do ano passado.

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Pessoas na rua
Foto de Paulete Matos.

O Instituto Nacional de Estatística divulgou os números do emprego do primeiro trimestre de 2023, que traçam um quadro bem diferente dos recentes anúncios do Governo sobre a suposta pujança da economia portuguesa. As estatísticas mostram que o número de desempregados aumentou em quase 72 mil pessoas desde março do ano passado, com a taxa de desemprego a subir para os 7,2% em relação dos 6,5% registados no último trimestre de 2022. Ou seja, com este aumento de 0,7 pontos percentuais, esta taxa atingiu o nível mais elevado desde o último trimestre de 2020, ficando apenas a uma décima dos 7,3% registados nesse ano marcado pela pandemia. Entre janeiro e março deste ano havia mais de 380 mil pessoas desempregadas em Portugal. Apenas Madeira e Açores viram a sua taxa de desemprego diminuir no último ano.

Os números indicam também que mais de um terço (36,5%) da população desempregada se encontra nessa situação há mais de um ano o que representa um recuo de 5,5 pontos percentuais face ao último trimestre de 2022 e de 9,7 pontos percentuais se a comparação for feita com o trimestre homólogo. E quase dois terços desta população (62,6%) está desempregada há mais de dois anos, um aumento de 8,9 pontos percentuais face ao primeiro trimestre de 2022.

O aumento do número de desempregados não compensou o aumento do emprego no arranque de 2023, com mais 23,8 mil pessoas empregadas. Um aumento de 0,5%, igual ao do trimestre anterior mas mais lento do que nos outros trimestres do ano passado. Comparando com o primeiro trimestre de 2022, verifica-se que esse crescimento se deveu sobretudo ao aumento dos contratos precários, a termo, recibos verdes ou a tempo parcial. Os contratos com termo dispararam quase 8%, o ritmo mais elevado dos últimos sete anos e em contrapartida caiu 0,2% o número dos contratos sem termo. Estes ainda abrangem 83% dos mais de quatro milhões de trabalhadores por conta de outrem, com os restantes 17% - 716,7 mil trabalhadores - a trabalhar com vínculo precário.

Outro indicador das estatísticas do emprego, destacado pelo Jornal de Negócios, é o da destruição do trabalho qualificado, com a maior redução do emprego de licenciados desde 2011 (-6,1%). Ou seja, num ano desapareceram 105 mil empregos de licenciados, com o ligeiro aumento no emprego a dever-se sobretudo a setores como o alojamento, restauração ou construção. Essa quebra do número de licenciados a rondar os 6% verifica-se tanto na população ativa como na população total, mas o desemprego entre licenciados aumentou apenas 2,7%. A explicação para esta diferença pode estar na emigração, admite o INE.

No que diz respeito aos salários, o INE aponta um cenário de estagnação: no primeiro trimestre do ano passado o salário líquido médio no privado era de 1.024 euros. Um ano depois, aumentou apenas um euro. O crescimento do emprego sobretudo nas profissões menos qualificadas e onde os baixos salários são a regra ajudam a explicar a estagnação dos salários.

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