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Derrame de petróleo provoca nova catástrofe ecológica na Califórnia

O derrame de 418 mil litros de crude está a provocar a morte de aves e peixes ao longo de 24 quilómetros de praias da Califórnia. A dimensão do impacto no ecossistema ainda é difícil de calcular.
Todas as 23 plataformas de petróleo na costa da Califórnia têm décadas de funcionamento sem modernização.
Todas as 23 plataformas de petróleo na costa da Califórnia têm décadas de funcionamento sem modernização. Foto de Glenn Beltz via Flickr.

Uma falha num oleoduto com muitos anos de funcionamento junto à costa da Califórnia, nos Estados Unidos da América, provocou um derrame de mais de 480 mil litros de crude que formaram uma mancha visível ao longo de 30 quilómetros quadrados.

Calcula-se que desde sexta-feira o crude se espalhou ao longo das praias da Califórnia, onde começaram a aparecer pássaros e peixes mortos com vestígios de petróleo. As praias foram fechadas ao público e poderão permanecer fechadas “por semanas ou até meses”, segundo declarações da presidente da câmara de Huntington Beach, Kim Carr, à AFP.

A responsável receia uma “potencial catástrofe ecológica” na região, sendo já confirmado o forte cheiro em terra do betume a flutuar no mar. Um total de 24 quilómetros de praias entre Huntington Beach e Laguna Beach foram encerradas ao publico e a pesca foi proibida devido ao derrame de crude.

O oleoduto é gerido pela empresa do estado do Texas Amplify Energy, através da sua subsidiária Beta Offshore. A empresa apercebeu-se do problema apenas depois de alertas para uma mancha iridiscente no mar visível durante a noite.

Não é o primeiro derrame com origem em oleodutos na costa da Califórnia. Em 2015, outro oleduto derramou milhares de litros de petróleo na praia de Refugio State. Mas este derrame é substancialmente maior. As plataformas próximas do derrame são dos anos 1980, de um consórcio liderado pela Royal Dutch Shell, operadas pela empresa texana.

O oleoduto em causa liga três plataformas de exploração de petróleo no alto mar a uma estação de bombeamento em Long Beach. Existem dezenas de plataformas e oleodutos deste tipo na costa da Califórnia, algumas instaladas nos anos 1960.

O município de Huntington Beach garantiu que fará com que a Amplify Energy faça “todo o possível para reparar a catástrofe ambiental”. A guarda costeira, que está a supervisionar as operações de resgate, mobilizou muitas embarcações de controlo de poluição.

As autoridades e as associações ambientais estão particularmente preocupadas com o impacto do derrame nas muitas reservas ecológicas localizadas na orla e nas zonas húmidas ao longo da costa.

A Califórnia proibiu novos furos de exploração de petróleo na costa há décadas. E o governo federal impediu explorações em alto mar na costa do Pacífico. Atualmente, existem 230 quilómetros de oleodutos na costa californiana, bem como 23 plataformas offshore, todas elas com décadas de funcionamento. 11 destas plataformas já não extraem petróleo ou gás, e cinco estão na fase inicial de encerramento. O destino das restantes seis plataformas permanece por definir, uma vez que as empresas responsáveis por elas não se decidem sobre quem irá pagar o seu encerramento.

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