Deputadas apresentam queixa na CIG por comentários homofóbicos de deputado do PSD

12 de março 2019 - 15:41

As expressões usadas pelo deputado laranja Bruno Vitorino para criticar uma sessão de esclarecimento sobre questões LGBTI numa escola do Barreiro estão na origem da queixa de Sandra Cunha e Joana Mortágua junto da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

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Joana Mortágua e Sandra Cunha vão apresentar queixa na CIG pelas declarações do deputado do PSD Bruno Vitorino. Foto Paula Nunes.

“'Sensibilizar' alunos de 11 anos sobre 'diferentes orientações sexuais'? Com associações LBGTI à mistura? Que porcaria é esta?”, perguntou o deputado e vereador do PSD no Barreiro, Bruno Vitorino, num post publicado na rede social Facebook em que classificava a iniciativa como “perversa”. As palavras do deputado causaram indignação nas redes e agora também uma queixa a ser entregue na Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

“O comentário público feito a propósito de uma sessão promovida por uma Escola do Barreiro no âmbito da disciplina de Educação Sexual com a Rede Ex Aequo é inaceitável para quem tem responsabilidades políticas e reflete um preconceito que não deve existir nem na educação nem na política”, afirmam as deputadas bloquistas Sandra Cunha e Joana Mortágua, eleitas pelo distrito de Setúbal. Ambas lamentam que o deputado do PSD considere “uma ‘vergonha’ educar para a igualdade e contra a discriminação em função de um dos princípios consagrados na Constituição da República”.

Depois de ver a indignação gerada pelo seu post, Bruno Vitorino tentou emendar a mão, negando pretender discriminar qualquer pessoa e invocando em seu abono o facto de ter “amigos homossexuais”. Mas logo em seguida, voltou a insurgir-se contra “este tipo de ‘doutrinação’” que diz ser praticada por “associações totalmente duvidosas”. A ilustrar a sua "explicação", Vitorino publicou uma imagem com uma arma de fogo pintada com as cores do arco-iris apontada à cabeça de um homem, na qual se podem ver os ícones de dois adultos e duas crianças de sexos diferentes. "Senti na pele aquilo que se ilustra abaixo", diz o deputado.

Reagindo à polémica criada pelo deputado do PSD, a diretora do agrupamento escolar de Santo André afirmou ao Expresso que “é falso que os pais tenham reclamado. A Associação de Pais não recebeu uma única queixa. O barulho que se fez foi nas redes sociais”. Também a presidente da Associação de Pais confirmou que não houve ”uma única queixa nem dos pais dos meninos que foram à sessão, nem dos outros pais da escola".