Deportações atingem recorde com governo de Obama

17 de novembro 2010 - 20:21

As deportações de imigrantes ilegais atingiram números recorde nos EUA durante o governo de Barack Obama. No último ano foram deportadas 392.862 pessoas.

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O governo de Barack Obama, em matéria de deportação de imigrantes ilegais, é considerado mais rígido que os seus antecessores na fiscalização e aplicação de penas.

O governo de Barack Obama, em matéria de deportação de imigrantes ilegais, é considerado mais rígido que os seus antecessores na fiscalização e aplicação de penas. Segundo a BBC Brasil, no último ano fiscal, que encerrou em Setembro, os Estados Unidos da América deportaram 392.862 imigrantes ilegais, um aumento em relação às deportações verificadas em anos anteriores.

A administração Obama foi já considerada mais rígida que os anteriores na fiscalização da imigração ilegal e na aplicação de sanções.

Além do recorde de deportações, o executivo de Barack Obama também tem intensificado a fiscalização sobre empresas e estabelecimentos comerciais que contratam imigrantes. A BBC Brasil adianta que mais de 2,2 mil estabelecimentos foram investigados este ano por suspeita de empregarem imigrantes ilegais, o que contrasta com as 1,5 mil fiscalizações efectuadas em 2009.

Apesar do governo afirmar que metade dos deportados no último ano eram criminosos já condenados que estavam ilegalmente no país e de que um terço dos criminosos deportados terem cometido crimes graves como violações ou assassinatos, alguns sectores estão a criticar fortemente o rigor exagerado das medidas tomadas contra os imigrantes ilegais, insistindo na necessidade de uma ampla reforma das leis de imigração do país.

A reforma das leis de imigração era uma das promessas de campanha de Obama, que foi eleito em 2008 com grande apoio dos imigrantes. A “promessa” de aprovar as mudanças ainda no primeiro ano de mandato acabou adiada diante da crise económica e da forte resistência da oposição republicana.

Obama enfrenta críticas dos dois lados: tanto dos que reclamam de rigidez excessiva e cobram uma solução mais rápida para legalizar a situação dos imigrantes que já estão no país, como daqueles que consideram as acções do governo brandas demais e querem maior rigor na fiscalização das fronteiras para impedir a entrada de ilegais.

Apesar de nos Estados Unidos as políticas de imigração serem responsabilidade do governo federal, muitos Estados analisam a adopção de medidas próprias para coibir a entrada de imigrantes ilegais.

O caso mais polémico e xenófobo é o do Arizona, que em Abril anunciou uma lei que criminalizava a presença de imigrantes ilegais.

Depois de vários protestos contra o carácter discriminatório da lei do Arizona, esta acabou por entrar em vigor mas os artigos contestados pelas organizações de defesa dos direitos dos imigrantes e dos direitos humanos foram bloqueados pela Justiça, que espera uma decisão sobre a sua constitucionalidade. Mas vários outros Estados já consideram adoptar medidas semelhantes.

Com quase 12 milhões de imigrantes “sem papéis” a viver nos Estados Unidos, o tema da imigração é um dos principais desafios do presidente americano, que entra na segunda metade de seu mandato enfraquecido pela perda da maioria democrata na Câmara dos Representantes.