O Procurador-geral da Flórida, o General Bill McCollum, propôs a adopção de uma nova legislação que "vai um passo além" da controversa e xenófoba lei de imigração no Arizona. Uma lei que originou inúmeros protestos entre as populações imigrantes e não só, levando mesmo a Casa Branca a mover um processo, através do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, contra a aplicação da nova lei de imigração aprovada pelo estado do Arizona.
McCollum, que está em plena campanha para ser nomeado candidato nas primárias republicanas para as eleições estaduais em Novembro próximo, introduziu a sua proposta de legislação durante um discurso em Orlando. "A Flórida não vai ser um santuário para imigrantes ilegais", disse McCollum, citado pelo El País, acompanhado pelo deputado estadual Will Snyder. No seu discurso tentou explicar como a sua proposta seria legal.
De acordo com a sua proposta de lei, a polícia seria obrigada a verificar o status de um imigrante ilegal suspeito durante uma operação stop de rotina ou caso esse viole outra lei. Isto vai além da lei da imigração no Arizona, actualmente suspensa, que permitia aos agentes policiais a solicitação de documentação, baseando-se numa suspeita, mas não a obrigá-los. A proposta do General republicano também contêm cláusulas de salvaguarda para evitar potenciais recursos ao Governo Federal.
A Flórida, especialmente no Sul, é um dos principais destinos de imigrantes do Caribe e América Latina, tornando-se um lugar com muita diversidade racial e cultural.
O Gabinete de McCollum tem defendido que a legislação proposta vai além da do Arizona, adiantando também que o povo do seu estado "quer esta lei".
Lei anti-imigrante foi suspensa nos EUA
A lei SB 1070 autorizava as autoridades locais a proceder a buscas e detenções de indivíduos "suspeitos" de estarem no país ilegalmente. A polícia do Arizona poderia exigir às pessoas que lhe parecessem suspeitas a prova do seu estatuto de residência, e, inclusive, prendê-las durante seis meses, punindo com uma multa de 2500 dólares um imigrante que se encontrasse em situação irregular.
No final do mês de Julho, um dia antes de entrar em vigor, a polémica lei anti-imigrante do Estado do Arizona, nos EUA, foi suspensa pela juíza federal Susan Bolton. Centenas de imigrantes comemoraram em frente à Casa Branca o bloqueio parcial da lei.
A juíza Susan Bolton considerou que a lei poderia conduzir à detenção indesejável de cidadãos de direito numa área em que o Governo federal tem autoridade exclusiva, e criticou a governadora do Arizona, Jan Brewer, por, "em vez de proporcionar a liderança" de que aquele estado "necessita para resolver o problema da imigração", ter assinado uma lei "que não conseguiu defender em tribunal e que gerou boicotes, ameaçou a indústria de turismo regional e polarizou o estado".
O impasse segue até nova decisão, em Novembro, e os boicotes no resto do país contra produtos do Arizona continua em vigor, assim como o apelo para que músicos cancelem apresentações no Estado.