O líder parlamentar do Bloco comentou na tarde desta segunda-feira o pedido de demissão do ministro das Infraestruturas. Pedro Filipe Soares lembrou que é “a segunda vez que acontece” e defendeu que “deveria ter tido eficácia logo da primeira vez”.
Lembrando que a apresentação de uma carta de demissão não resulta automaticamente na demissão, até porque “se assim fosse João Galamba já não era há quase meio ano membro do Governo porque já é a segunda vez que faz a apresentação da sua demissão”, apelou à “sensatez” e “calma” do primeiro-ministro demissionário para aceitar este pedido, uma decisão que será a “mais óbvia, simples e sensata”. Reforçou ainda a mensagem afirmando: “Esperemos que à segunda seja de vez e que não seja o martírio daquele ditado não há duas sem três”.
Para o Bloco, “João Galamba já não tinha há muito tempo condições para continuar como ministro do Governo” e isto “não apenas pelos acontecimentos da última semana”. Aliás, a sua manutenção no executivo “servia até para o primeiro-ministro distrair o país da ação do governo, dos diversos bloqueios, das insuficiências da sua política”.
Questionado sobre os contornos da situação “no mínimo pitoresca” em que o Governo se encontra, o líder parlamentar bloquista recordou que esta “não tem grandes antecedentes na realidade portuguesa”, mas foi o Presidente da República que “assim o determinou”. O Bloco de Esquerda defendia, por seu turno, que “devia ter havido o quanto antes a marcação de eleições”, mas ressalva compreender “do ponto de vista de preceitos democráticos a salvaguarda de todos os partidos estarem com a mesma capacidade na disputa eleitoral”.
Por outro lado, destaca que o partido não acompanha “a bondade” presidencial sobre o Orçamento do Estado: “sempre dissemos que ele é mau e não é por este mês do trabalho em especialidade que vai ficar melhor”. Para o Bloco de Esquerda, o Orçamento agora em debate “não resolve os bloqueios na saúde, na educação, na habitação, não dá uma resposta de futuro ao país. Já era mau antes da crise política, mantém-se mau mesmo depois dela”, concluiu.