A coordenadora do Bloco considera que é “grave que alguém como Neto Moura continue a ser um juiz. Eu acho que, com todo o respeito pela separação de poderes, a magistratura tem de olhar para este caso, porque Neto Moura continuar a produzir as sentenças que tem produzido é um insulto a todos os magistrados deste século”.
As declarações foram feitas aos jornalistas, em Amarante, local a que se deslocou este sábado para tomar uma posição sobre a construção da barragem de Fridão, um aproveitamento hidroelétrico, no rio Tâmega, ao qual o Bloco se opõe, na sequências de várias notícias que afirmam que o juiz desembargador se propõe a processar, por ofensa à honra, quem fez comentários sobre as suas recentes decisões sobre casos de violência doméstica.
“Eu acho que o juiz Neto Moura vai ter de processar a maioria do país, porque neste país as pessoas sabem que a violência doméstica é um crime e as sentenças do juiz Neto Moura tentam legitimar e atenuar a violência doméstica, humilhando mulheres, e isso é inaceitável”, afirmou a coordenadora do Bloco.
Catarina Martins, considera ainda que “toda esta ideia do processo é absolutamente ridícula” e questionou se o magistrado “pretende processar a Conferência Episcopal, que já disse que ele não podia utilizar a Bíblia para tentar desculpar uma agressão”.
Ainda este sábado, Catarina Martins acusou o governo de mentir sobre o Novo Banco, quando “garantiu que a venda do Novo Banco era a melhor forma de travar o gasto de dinheiro público com o ex-BES”. Assim, responsabilizou PSD, CDS e PS pela situação do banco, depois de se saber que a instituição financeira irá pedir uma injeção de capital de 1149 milhões de euros ao Fundo de Resolução.
“O que aconteceu com o BES e o Novo Banco é uma lição do que não deve ser feito no país e tem responsabilidade no PSD, CDS e PS”, afirmou a coordenadora do Bloco. “Neste momento, não sei como é possível o mesmo Governo que diz que não há dinheiro para reivindicações laborais que, quando olhamos para a dimensão do novo Banco, são, de facto, tão modestas, continuar sem compreender que é preciso uma alteração profunda da forma como este país lida com o sistema financeiro”, afirmou. De acordo com Catarina Martins, PSD e CDS “mentiram ao país” quando disseram que a resolução do BES não ia ter custos para o erário publico, “mas já vai em mais de cinco mil milhões de euros”.
“Sempre dissemos: se nós pagamos, mais vale sermos donos. O banco devia ter ficado para o Estado, porque nós continuamos a pagar um banco que, de facto, foi entregue a accionistas privados, foi entregue a uma multinacional”, sublinhou, acrescentando que “Estamos a pagar os lucros dos outros. Nacionalizámos prejuízos e continuamos a pagar esses prejuízos”.