Está aqui

"Cuidadores informais precisam de ver o seu estatuto reconhecido"

Catarina Martins apelou ao reconhecimento dos cuidadores informais pelo Estado. Reclamou ainda a resolução das reivindicações justas dos enfermeiros, que não se reduzem à atuação da sua bastonária, e uma política consequente de combate à violência doméstica.
Catarina Martin - Foto de Mário Cruz/Lusa
Catarina Martin - Foto de Mário Cruz/Lusa

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, Catarina Martins apelou ao governo para ajudar a resolver os problemas dos cuidadores informais, colaborando com a proposta do Bloco para um estatuto do cuidador. A coordenadora bloquista saudou a intenção manifestada pelo governo de reforçar os apoios sociais aos cuidadores e reconhecer-lhes períodos de descanso, mas alertou que o projeto-piloto nesse sentido "não é o estatuto que os cuidadores têm vindo a pedir". Para Catarina, um estatuto é imprescindível para responder a cinco problemas fundamentais destas pessoas, nomeadamente reconhecer-lhes uma carreira contributiva, incluir licenças para a sua situação na lei laboral, estabelecer direitos e deveres, e reforçar os apoios que lhes prestam os serviços públicos.

A violência doméstica, de novo nas notícias devidos a casos de homicídio esta semana, foi outro assunto em que Catarina sublinhou que este é o crime contra pessoas que mais mata em Portugal e acrescentou: "não podemos fechar os olhos aos relatos constantes de queixas que não têm o devido seguimento pelas forças de segurança, nem às sentenças e decisões de magistrados que de uma forma repetida desvalorizam as agressões".

Em relação à luta em curso dos enfermeiros, a coordenadora bloquista, ressalvando que os "enfermeiros deste país são muito melhores que a sua bastonária e declarações irresponsáveis de alguns dos seus dirigentes", reiterou a necessidade de atender às reivindicações justas destes profissionais, fazendo um apelo ao governo: "contratem-se enfermeiros, e faça-se a justa progressão e descongelamento de carreiras para termos o SNS a funcionar como precisamos", pois "não é justo que um enfermeiro que trabalha há 15 anos esteja a receber o mesmo que um enfermeiro que acede agora à carreira - esse devia ser o compromisso do governo para desbloquear esta situação"

Por fim, a situação volátil na Venezuela motivou fortes críticas à atuação do governo. Relembrando como a direita e também o PS nunca mostraram reservas em dar o braço ao governo venezuelano enquanto servia para fazer negócio, Catarina fulminou o cinismo desses setores ao "virem agora fingir que reconhecem um presidente autoproclamado por uma suposta preocupação com direitos humanos - estão apenas como sempre a tratar dos negócios". O reconhecimento de Juan Guaidó "não tem precedente e viola o direito internacional". Portugal devia antes ter acompanhado a posição sensata de António Guterres e a ONU, "que recusaram alinhar por Trump ou Bolsonaro, e se empenharam na mediação internacional para uma resolução pacífica e democrática".

 

Termos relacionados Política
(...)