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Cuidadores europeus voltam a alertar para falta de investimento

Associações de cuidadores reuniram esta terça-feira no Parlamento Europeu para discutir a falta de investimento nesta área e a necessidade de concretizar uma Estratégia Europeia para os Cuidadores Informais. “Respondermos a todas estas pessoas é uma questão de democracia”, afirmou Marisa Matias.
Mãos juntas
Foto RawPixel Ltg/Flickr

Várias associações europeias de cuidadores reuniram esta terça-feira para debater o recorrente sub-investimento nesta área na última década, em particular no sector do cuidado informal.

A reunião decorreu no âmbito do Grupo de Interesse de Cuidadores Informais que foi criado no Parlamento Europeu, do qual é membro Marisa Matias, e contou com a intervenção de deputados europeus de vários grupos parlamentares, uma representante da Comissão Europeia, do presidente do Instituto da Segurança Social, e de várias associações de cuidadores como a Eurocarers, a EASPD – European Association of Service Providers for Persons with Disabilities, a ANCI – Associação Nacional de Cuidadores Informais, a EUFAMI – Federation of Associations of Families Affected by Mental Illness e a Eurocarers Portugal.
O sector social tem sido alvo de um desinvestimento nos últimos anos, com particular incidência no sector do cuidado informal, mas de um modo transversal nos vários Estados-Membros. Ao logo do debate foi possível constatar que, ao contrário de outras áreas, a pandemia da COVID-19 não fez descobrir a existência de cuidadores e cuidadoras informais, no entanto deixou ainda mais evidentes as necessidades e dificuldades que os mesmos enfrentam.

A Eurocarers, na sua apresentação, defendeu como essenciais para a ação da UE o reforço dos direitos dos cuidadores no Pilar Social, por meio de uma estratégia europeia de apoio e empoderamento dos cuidadores informais, a identificação dos cuidadores jovens como um grupo de risco, mediante uma nova estratégia sobre os direitos das crianças e o combate da pobreza e da desigualdade de género no sector dos cuidados, atendendo a que “as pausas para cuidar”, maioritariamente exercidas por mulheres, contribuem para as disparidades das pensões, fazendo com que “o risco de pobreza entre as mulheres aumente com a idade, principalmente na altura da reforma”, momento em que se regista 40% menos benefícios que os homens.

No final da reunião os participantes foram unânimes na conclusão: para criar uma Europa social é fundamental e urgente concretizar uma Estratégia Europeia para os Cuidadores Informais, um plano de ação concreto e efetivo sobre como “Cuidar dos Cuidadores”.

Cabe agora ao Grupo de Interesse de Cuidadores Informais do Parlamento Europeu a monitorização da implementação das medidas de apoio, a diferentes níveis, aos cuidadores e cuidadoras informais da UE, e a partilha de informação com as partes interessadas. 

Há mais de uma década que Marisa Matias defende o reconhecimento dos direitos de cuidadores e cuidadoras informais e hoje, na sua intervenção final, reiterou a sua importância e apontou a recolha de informações em toda a Europa como forma adequada a quantificar e qualificar os cuidadores e as cuidadoras informais existentes e, assim, melhor e mais eficazmente definir e garantir os seus direitos. “Respondermos a todas estas pessoas é uma questão de democracia”, concluiu Marisa Matias.

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