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Cuba: doze manifestantes condenados sem presença de advogado

Os participantes no protesto de 11 de julho foram sentenciados a penas de prisão entre dez meses e um ano. O cantor Silvio Rodríguez apela à libertação dos presos que se manifestaram sem recurso à violência. E os EUA aplicaram “sanções simbólicas” contra o ministro da Defesa cubano.
Bandeira cubana. Foto de Lucía Martínez/Flickr.
Bandeira cubana. Foto de Lucía Martínez/Flickr.

Doze cidadãos cubanos, presos durante os protestos do passado dia 11 de julho contra o governo, foram julgados e condenados a penas entre dez meses e um ano de prisão. Segundo o Deutsche Welle, o julgamento foi sumário e a maior parte dos réus não tinha advogado.

O meio de comunicação social alemão apresenta declarações nesse sentido de Yuri Troya, irmão de Anyelo Troya, um dos responsáveis pela gravação do vídeo da música Patria y Vida, que homenageia o movimento de artistas de San Isidro e crítica o governo. Este diz que Anyelo não foi preso por participar nas manifestações mas quando saiu para as filmar. Depois disso, esteve vários dias isolado e a família não o conseguiu contactar durante uma semana. Na passada terça-feira, quando se deslocaram com um advogado à prisão onde estaria, foram informados que o julgamento estava a decorrer num tribunal a vários quilómetros de distância. Ao chegarem, souberam que já tinha terminado.

De acordo com Yuri Troya, de entre doze outros réus apenas dois tinham advogado “porque os pais descobriram a tempo”. Os acusados que tinham advogado foram sentenciados a dez meses de prisão, todos os outros a um ano.

Do lado do regime, o presidente Miguel Díaz-Canel tinha prometido "garantias processuais" e "aplicação das leis na sua justa medida, sem abusos". Nega-se também a existência de desaparecidos. Várias organizações tinham denunciado a existência de detidos sobre os quais não existia nenhuma informação e falam em centenas de presos. Mas o coronel Víctor Álvarez, do Órgão Especializado da Direção-Geral de Investigação Criminal do Ministério do Interior, declarou na televisão estatal que as listas que circulam “perdem credibilidade devido à falta de dados e porque está comprovado que muitos dos inscritos nunca foram detidos ou mesmo entrevistados pelas autoridades”.

Díaz-Canel insiste que foram "mercenários pagos pelos Estados Unidos” a organizar os protestos. E, por sua vez, o governo norte-americano anunciou na passada quinta-feira sanções financeiras “simbólicas” contra o ministro da Defesa cubano, Alvaro Lopez Miera, devido ao seu papel na “repressão” de “manifestações pacíficas e pró-democracia”. O que quer dizer que se tivesse contas nos EUA seriam congeladas e impedido o seu acesso ao sistema bancário do país.

Em comunicado, Joe Biden ameaçou que isto seria “apenas o começo” e prometeu “pressionar o regime para que ele liberte imediatamente os presos políticos detidos injustamente, restabeleça o acesso à internet e permita aos cubanos gozar dos seus direitos fundamentais.” O presidente dos EUA revela ainda que está a estudar a autorização de transferência de dinheiro de particulares do seu país para Cuba.

Silvio Rodríguez apela à libertação de presos

O histórico cantor Silvio Rodríguez, de 74 anos de idade, é um dos cubanos que apela à libertação dos manifestantes do 11 de julho. Aqueles que “não foram violentos”, esclarece no seu blogue Segunda Cita, acrescentando que não sabe “quantos presos haverá agora”.

O músico encontrou-se com o ator, dramaturgo e diretor do teatro Trébol, Yunior García Aguilera, um dos organizadores das manifestações de artistas a 27 de novembro e que foi agora preso nas manifestações mas entretanto libertado, e com a produtora cinematográfica Dayana Prieto, para conhecer as suas razões e escreveu que o “mais doloroso” foi “escutar que eles, como geração, não se sentiam já parte do processo cubano”.

Para ele, “tem de haver mais pontes, mais diálogos, menos preconceitos, menos vontade de atacar e mais desejos de resolver a montanha de temas económicos e políticos pendentes.

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