CT da RTP: é possível fazer recuar o governo

24 de fevereiro 2012 - 2:14

Comissão de Trabalhadores considera uma primeira vitória o anúncio da inclusão do Canal Parlamento na TDT: “Quando é claramente combatido o conluio com interesses particulares, é possível obter um eco significativo junto da opinião pública”.

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“Ficam agora patentes as fragilidades da imagem belicosa que o próprio ministro tinha apresentado", diz a CT da RTP

A Comissão de Trabalhadores da RTP defendeu que todos os canais de serviço público sejam acessíveis gratuitamente, em sinal aberto, porque os contribuintes já financiam em parte os conteúdos emitidos pela televisão pública.

A CT da RTP reagia, em comunicado, à notícia divulgada esta semana pelo Correio da Manhã, em que o ministro Miguel Relvas afirmava que o governo trabalha para que o canal Parlamento possa integrar a oferta da Televisão Digital Terrestre (TDT). Segundo Relvas, a Autoridade Nacional das Comunicações (ANACOM) "já deu o seu aval à inclusão deste canal na TDT" e "a PT vai disponibilizar, de forma gratuita, a frequência em que será emitido".

No comunicado, a CT da RTP sustenta que não só o canal Parlamento, mas também outros canais pagos como o RTP Memória e o RTP Informação, ou os canais da RDP devem "ser gratuitamente acessíveis ao público através da TDT".

É possível obter um eco significativo junto da opinião pública”

Para a CT, “ficam agora patentes as fragilidades da imagem belicosa que o próprio ministro tinha apresentado, ao reiterar que, fosse como fosse, um dos canais da RTP estaria privatizado até ao fim de 2012. Quando é claramente combatido o conluio com interesses particulares, como neste caso os que alimenta os negócios da PT na passagem à Televisão Digital Terrestre (TDT), é possível obter um eco significativo junto da opinião pública e fazer recuar o Governo.”

A inclusão de todos os canais de serviço público na TDT é, além disso, “um interesse da RTP e de todos os que nela trabalhamos. Dir-se-á que, nesse caso, a RTP deixaria de receber uma quantia significativa que lhe é paga pelos operadores da televisão por cabo. Mas essa é só uma parte da verdade”, argumenta o comunicado, que afirma: “Colocar gratuitamente ao alcance do público aquilo que fazemos far-nos-á ganhar muito mais, em credibilidade, que aquilo que fará perder à RTP na ótica de uma contabilidade de curto prazo. Só assim se poderá discutir o futuro do serviço público com argumentos claros e transparentes.”