Habitação

Crise da habitação: Causa Pública lançou novo relatório

17 de dezembro 2024 - 12:49

A associação lançou o primeiro de três relatórios sobre a crise da habitação em Portugal, analisando a evolução do problema em comparação com outros países, e as consequências que traz para a economia portuguesa.

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Rua de Santa Catarina, Porto.
Rua de Santa Catarina, Porto. Foto de Mussi Katz/Flickr

Com a pior relação entre rendimentos e preços da habitação pelo menos desde 1995 (os dados mais antigos disponíveis), Portugal apresenta nesta capítulo o pior desempenho da OCDE. Em regiões como Lisboa, Porto e Algarve, os preços de compra duplicaram nos últimos dez anos num país que tem um dos menores parques de habitação pública e social.

O estudo agora lançado pela associação Causa Pública sobre a crise habitacional portuguesa, coordenado por Guilherme Rodrigues e com a participação de Ana Drago, João Reis, Guilherme Ferreira e Nuno Serra, é o primeiro de uma série de três relatórios dedicados à crise da habitação e debruça-se sobre o diagnóstico do problema e da sua evolução, comparando com exemplos internacionais e analisando as consequências dos graves custos sociais e económicos que esta crise da habitação sem precedentes tem para o país.

Além do impacto no aumento das desigualdades e na redução da igualdade de oportunidades, são analisados também os riscos para a administração pública e as funções sociais do Estado e também para a inovação, ao ser cada vez mais difícil recrutar profissionais qualificados para as zonas sob pressão do aumento dos preços da habitação. Um fenómeno que também contribui para a “fuga de cérebros” do país, para a redução da competitividade e a orientação da economia para o rentismo que restringe a inovação e os investimentos que aumentam a produtividade.

Nas suas conclusões, os autores afirmam que “o aumento dos custos imobiliários, tanto habitacionais como comerciais, torna-se um entrave à criação de um tecido empresarial dinâmico, produtivo e inovador, enquanto beneficia desproporcionalmente empresas já estabelecidas e detentoras de propriedade”.