CP escala compulsivamente trabalhadores de São Bento para trabalhar em dias de descanso

30 de agosto 2023 - 12:36

A acusação é do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário que vinca que isto só acontece porque há “um défice estrutural de falta de trabalhadores” no depósito de revisão da CP em São Bento responsabilizando-se a “política de baixos salários há muito levada a cabo por nesta empresa”.

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Ferrovia. Foto da CGTP.
Ferrovia. Foto da CGTP.

Os trabalhadores do depósito de revisão da CP em São Bento, Porto, queixaram-se ao Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário que estão a ser “escalados para prestarem trabalho nos seus dias de descanso”, afirma em comunicado esta estrutura sindical.

O SNTSF faz saber que já enviou um ofício à administração da empresa a manifestar a sua oposição a tal prática. Sendo que, apesar da “consciência da necessidade de responder a picos de trabalho e situações excecionais”, defende-se que “o recurso a cortes de descanso, demonstra que não estamos numa situação destas, mas sim, estamos perante um défice estrutural de falta de trabalhadores desta categoria, cuja única responsabilidade é resultante da política de baixos salários há muito levada a cabo por nesta empresa”.

Reitera-se que o que está a acontecer não é “com toda a certeza” uma “circunstância excecional ou de força maior” mas que “as administrações têm-se comprometido a prestar um serviço que bem sabem não ser possível por falta de trabalhadores, a que acresce ainda o não cumprimento pelos limites máximos de prestação de trabalho extraordinário previsto no Código de Trabalho”.

O sindicato denuncia ainda que “o escalamento compulsivo para trabalho extraordinário impacta negativamente o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos trabalhadores, o que resulta em stress, cansaço excessivo e diminuição da qualidade de vida”. Há assim consequências negativas, para além do “desgaste físico e emocional” que “afeta a saúde a longo prazo” dos trabalhadores, na produtividade e que “podem ter impacto na segurança”.

Exige-se portanto que a administração “intervenha para a resolução deste problema que não é apenas do local de trabalho referido”. Uma “solução que passa por se criarem condições atrativas para o recrutamento de novos trabalhadores, onde o aumento geral dos salários é o elemento central”, conclui-se.