Os trabalhadores do depósito de revisão da CP em São Bento, Porto, queixaram-se ao Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário que estão a ser “escalados para prestarem trabalho nos seus dias de descanso”, afirma em comunicado esta estrutura sindical.
O SNTSF faz saber que já enviou um ofício à administração da empresa a manifestar a sua oposição a tal prática. Sendo que, apesar da “consciência da necessidade de responder a picos de trabalho e situações excecionais”, defende-se que “o recurso a cortes de descanso, demonstra que não estamos numa situação destas, mas sim, estamos perante um défice estrutural de falta de trabalhadores desta categoria, cuja única responsabilidade é resultante da política de baixos salários há muito levada a cabo por nesta empresa”.
Reitera-se que o que está a acontecer não é “com toda a certeza” uma “circunstância excecional ou de força maior” mas que “as administrações têm-se comprometido a prestar um serviço que bem sabem não ser possível por falta de trabalhadores, a que acresce ainda o não cumprimento pelos limites máximos de prestação de trabalho extraordinário previsto no Código de Trabalho”.
O sindicato denuncia ainda que “o escalamento compulsivo para trabalho extraordinário impacta negativamente o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos trabalhadores, o que resulta em stress, cansaço excessivo e diminuição da qualidade de vida”. Há assim consequências negativas, para além do “desgaste físico e emocional” que “afeta a saúde a longo prazo” dos trabalhadores, na produtividade e que “podem ter impacto na segurança”.
Exige-se portanto que a administração “intervenha para a resolução deste problema que não é apenas do local de trabalho referido”. Uma “solução que passa por se criarem condições atrativas para o recrutamento de novos trabalhadores, onde o aumento geral dos salários é o elemento central”, conclui-se.