Covid-19: Sonae falha compromisso de testar todos os trabalhadores

27 de maio 2020 - 15:47

O CESP denuncia que somente os trabalhadores de um armazém no entreposto da Azambuja estão a ser testados, ainda que partilhem espaços comuns e os mesmos transportes públicos com os restantes. E o anunciado prémio salarial para quem trabalha na "linha da frente" afinal não foi para todos, aponta o sindicato.

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Entreposto da Sonae na Azambuja.
Entreposto da Sonae na Azambuja. Foto de José Sena Goulão, Lusa.

Numa nota à imprensa sobre o surto de Covid-19 no entreposto da Sonae na Azambuja, o CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal acusa a Sonae de brincar com a saúde dos trabalhadores.

A estrutura sindical lembra que a empresa, só depois de ter vindo a público o surto de Covid-19 no entreposto da Azambuja, anunciou que iria testar todos os seus trabalhadores. “No entanto, não só isto não foi feito até ao momento, como não há intenção de o fazer”, afirma o CESP.

A Sonae só está a efetuar testes aos trabalhadores do armazém alimentar, onde foram detetados casos de infeção, deixando de fora a maioria dos mais de três mil trabalhadores do entreposto, aponta o sindicato.

O CESP considera que “esta decisão é irresponsável, na medida em que a entrada nas instalações é a mesma para todos os trabalhadores do complexo, assim como diversos espaços interiores, para não falar da já conhecida situação dos transportes públicos”.

De acordo com o CESP, esta não é a primeira vez que a Sonae distorce a realidade: “Não bastava o anunciado prémio de 20% para todos os trabalhadores na “linha da frente”, que afinal não é para todos”, lamenta. A estrutura sindical lembra ainda que esta não é a primeira vez que a empresa “falta com os seus compromissos relativos à segurança e saúde no trabalho, estando diversas reivindicações deste âmbito constantes nos cadernos reivindicativos dos trabalhadores há diversos anos”.

O CESP “exige que a empresa cumpra com as suas obrigações de zelar pela saúde dos seus trabalhadores, que neste caso particular, até acontece a meio de uma crise de saúde pública”.

“Os trabalhadores não precisam de operações de cosmética, mais propaganda do que medidas efectivamente preventivas, e sim respeito por quem cria a riqueza da empresa e, como podemos confirmar nestes tempos, os que também assumem os riscos em tempos de crise”, remata.

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