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Covid-19: Países mais ricos já reservaram metade das doses de vacinas

Apesar de só representarem 13% da população mundial, os países mais ricos já reservaram metade das futuras doses da vacina para a covid-19. Ao mesmo tempo, a OMS só conseguiu reunir 10% dos fundos necessários para o programa de distribuição de vacinas nos países em desenvolvimento.
Países mais ricos já reservaram metade das doses de vacinas para a covid19
Fotografia de André Gomes de Melo/Flickr

A tão esperada vacina para a covid-19 ainda não chegou, mas os países mais ricos já reservaram metade das suas futuras doses. Estes países representam apenas 13% da população mundial.

Os números são de um relatório da Oxfam, que explica que o objetivo passa por garantir o fornecimento junto de múltiplos concorrentes, na esperança de que pelo menos uma das vacinas em estudo se revele eficaz. Porém, isto só aumenta a dificuldade que a grande maioria da população mundial terá em aceder a uma futura vacina, noticia a agência Lusa, baseando-se no relatório publicado na passada quarta-feira pela organização não governamental. 

A maioria dos contratos foram assinados pela empresa farmacêutica AstraZeneca, que tem uma parceria com a Universidade de Oxford. Porém, as demais farmacêuticas na corrida à vacina não ficam atrás: a Sanofi, Pfizer, Johnson & Johnson, a empresa norte-americana de biotecnologia Moderna, o laboratório Sinovac na China e o instituto russo Gamaleia, também já venderam milhões de doses. 

Já no passado mês de maio, os Estados Unidos da América assinaram vários contratos para garantir a produção e entrega de vacinas, caso os ensaios clínicos em curso sejam bem sucedidos, já a partir de outubro, podendo ser distribuídas no prazo de 24 horas, após autorização sanitária.

Segundo a Oxfam, já foram assinados contratos com cinco destes fabricantes na fase 3 de ensaios clínicos para 5,3 mil milhões de doses, 51% dos quais para países desenvolvidos, incluindo, além dos EUA, Reino Unido, UE e Japão, também Austrália, Hong Kong, Suíça e Israel. Fora das contas ficam as compras a fabricantes que estão ainda em fases inferiores no desenvolvimento de vacinas.

"O acesso vital às vacinas não deve depender de onde se vive ou de quanto dinheiro se tem", criticou um responsável da Oxfam, Robert Silverman, na apresentação do relatório.

Há uma semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou que a Organização Mundial de Saúde (OMS) precisa de 35 mil milhões de dólares (29,3 mil milhões de euros) para os programas de desenvolvimento e distribuição de vacinas, tratamentos e diagnósticos contra a covid-19. Os Estados Unidos estão a boicotar ativamente este mecanismo de mutualização internacional. 

Em maio, a OMS criou o programa ACT Accelerator, com apoio da UE, para financiar investigações sobre respostas médicas à pandemia e, posteriormente, distribuí-las em países sem poder aquisitivo.

No entanto, o organismo só conseguiu arrecadar menos de 10% do total necessário para garantir o acesso às vacinas dos países em desenvolvimento, três mil milhões de dólares (2,5 mil milhões de euros).

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