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Covid-19: Crianças poderão ser principal dano colateral, alerta a Unicef

A Unicef alerta para a possibilidade de haver milhares de mortes de crianças diariamente nos países em desenvolvimento como causa indireta da covid-19. Entre as causas estão os sistemas de saúde debilitados de alguns desses países.
Foto Frank Dejongh/UNICEF - © Direitos Reservados

A Unicef cita um estudo da universidade norte-americana Johns Hopkins, em que no pior cenário poderão morrer 1,2 milhões de crianças num total de 118 países, nomeadamente nos países em desenvolvimento que já tinham serviços de saúde deficitários e que com a propagação da covid-19 ficam ainda mais fragilizados.

Os números apresentados pela agência da ONU são dramáticos, avançando que poderá haver, nos países mais pobres, cerca de seis mil crianças mortas todos os dias nos próximos seis meses. Estes países já têm normalmente uma mortalidade significativa de menores, cerca de 2,5 milhões num período de seis meses.

O estudo em questão, que foi publicado na revista “The Lancet Global Health”, alerta para as dificuldades que a covid-19 provoca no fornecimento de medicamentos e alimentação, em países com sistemas de saúde com imensas falências tanto financeiros como de recursos humanos.

Para além das crianças, as mulheres poderão também ser um dano colateral desta pandemia, porque segundo o mesmo estudo, para além das 144000 mulheres grávidas que já morrem semestralmente, poderão morrer mais 56.700 mulheres por não terem o devido acompanhamento no período anterior e posterior ao parto.

A diretora da Unicef, Henrietta Fore, refere que "não podemos deixar as mães e crianças serem vítimas colaterais do combate ao vírus".

A Unicef refere ainda que o planeamento familiar, os cuidados pré e pós-natais, os partos e a própria vacinação, bem como os cuidados de saúde preventivos são os serviços mais afetados pelo confinamento, que levou nos países afetados a que as pessoas deixassem de recorrer aos serviços de saúde pelo medo de serem contagiados pelo novo coronavírus.

Segundo este comunicado, as regiões mais afetadas poderão ser a Ásia, a África subsariana e a América do Sul, por esta ordem, destacando a situação dramática em países como o Bangladesh, Índia, Brasil, República Democrática do Congo e Etiópia.

Alertam ainda para o perigo da falta de vacinação, nomeadamente contra o sarampo, que foi interrompida devido à pandemia, num total de 117 milhões de crianças em 37 países.

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