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Consumo excessivo de moda é fenómeno internacional

Um inquérito da Greenpeace em países europeus e asiáticos alerta que cada vez mais gente compra mais roupa, calçado e acessórios do que realmente precisa e analisa as motivações por detrás deste consumo excessivo.
Capa do relatório da Greenpeace sobre o consumo excessivo de moda.

O inquérito dirigido a cerca de mil pessoas na Alemanha, Itália, China, Taiwan e Hong Kong, com idades entre os 20 e os 45 anos, indica que é a China que lidera a febre consumista das compras de moda, com mais de metade dos inquiridos a reconhecerem que compram mais do que precisam. As redes sociais e a facilidade das compras online  vieram reforçar este fenómeno, diz a Greenpeace.

Os compradores têm consciência de que a sua motivação para ir às compras de roupa, calçado ou acessórios não é a necessidade mas a busca de satisfação e confiança face às outras pessoas, ou a necessidade de libertar o stress e aliviar o tédio.

Mas a sensação de felicidade alcançada com a compra de moda esvai-se em pouco tempo. São os próprios consumidores (cerca de 50%) a admitir que desaparece ao fim do primeiro dia. Nos países do Leste asiático, um terço dos inquiridos reconhece mesmo que o vazio que se segue nos dias seguintes é ainda maior do que antes da compra. Ou seja, à febre da compra segue-se a ressaca.

Ainda segundo o inquérito, 41% dos inquiridos na China exibem traços de comportamento compulsivo e 59% afirmam que não conseguem impedir a compra por impulso mesmo que saibam que estão a comprar acima das suas necessidades. Ao contrário do consumidor médio, que adquire roupa uma ou duas vezes por mês, 40% dos inquiridos em Hong Kong e Taiwan e das mulheres inquiridas na China diz que não consegue passar uma semana sem ir às compras de moda. Dois terços dos inquiridos na China e Hong Kong admitem fazer compras online mesmo durante o trabalho ou as aulas.

Os jovens são particularmente afetados pela febre do consumo excessivo em todos os países, mas o sentimento de satisfação após a compra é diferente na Europa e na Ásia. Enquanto 39% dos alemães admitem esse entusiasmo, em Hong Kong esse número é quase o dobro (76%) e na China alcança os 65%. Para além dessa motivação há outros fatores que ajudam a explicar as frequentes idas às compras de moda, como ter amigos ou familiares que também o façam ou a necessidade de adquirir presentes.

A par destas motivações, estão as que são criadas pela própria indústria para atrair clientes, como as promoções ou os botões de “compra num só clic” em muitos sites. E, claro, a publicidade que introduz os desejos e valores mais básicos das pessoas, como a amizade, felicidade e sucesso nos anúncios aos produtos à venda. Mas as opiniões convergem nos dois continentes sobre a “ressaca” das compras, com cerca de metade dos inquiridos a dizer que a sensação de felicidade desaparece ao fim de 24 horas. 60% dos alemães, sobretudo entre as mulheres jovens, afirmar-se cansadas e esgotadas após as compras.

Para contrariar os efeitos sociais e ambientais do sobreconsumo de moda, a Greenpeace apela às companhias para que reconheçam os efeitos psicológicos negativos que estão ligados ao atual padrão de consumo e mantenham uma relação com os clientes.

“A solução mais simples é a de não produzir, vender e comprar tanto”, dizem os ambientalistas, apelando a um modelo de negócio baseado na durabilidade dos produtos e na promoção da reciclagem. “A Greenpeace acredita que a ‘slow fashion’ pode ser inovadora, lucrativa e sustentável, dando um verdadeiro contributo ao nosso futuro comum no planeta”, conclui o estudo agora publicado pela organização internacional.

 

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