Reino Unido

“Conspiração para causar incómodo público”: ativistas recebem penas recorde

20 de julho 2024 - 10:29

Cinco ativistas receberam penas entre quatro e cinco anos de prisão por planearem uma ação direta. Juiz fala em "fanatismo", ativistas lamentam que "ação tenha sido necessária".

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Manifestação por ação climática
Manifestação por ação climática. Fotografia de Jordin Letchinger/Wikicommons

Na quinta-feira passada, cinco ativistas britânicos ligados ao movimento Just Stop Oil receberam penas de entre quatro a cinco anos por “conspiração para causar incómodo público”. São as penas mais elevadas recebidas por ativistas no Reino Unido até hoje por disrupção pública.

Os cinco ativistas foram considerados culpados a semana passada por “conspiração para causar incómodo público”, por organizarem uma ação que bloqueou uma das principais artérias rodoviárias de Londres em Novembro de 2022.

Um dos ativistas, Roger Hallam, foi condenado a cinco anos de prisão, enquanto Daniel Shaw, Louise Lancaster, Lucia Whittaker De Abreu e Cressida Gethin foram condenados a quatro anos cada. O juiz que aplicou as sentenças acusou-os de “ultrapassar a linha de ativistas preocupados para fanáticos”.

Apesar de reconhecer as provas científicas das alterações climáticas, o juiz acusou os ativistas de negligenciar “os direitos dos seus concidadãos”, e a obrigá-los a “sofrer a disrupção e dano” apenas para “exibirem os seus pontos de vista”.

Cressida Gethin defendeu-se, afirmando que “não se tratam de crenças ou opiniões”, mas que “o facto de se sentir fortemente convencido de que isto é errado é muito compreensível”. Lamentou ainda que “esta ação tenha sido necessária” mas identificou essa opção como a mais eficaz ao seu alcance. Vários apoiantes dos acusados demonstraram o seu descontentamento com as sentenças pesadas depois do julgamento de duas semanas.