Os conselhos de redação da televisão e da rádio da RTP aprovaram duas declarações convergentes em que se opõem expressamente à instituição pela administração da empresa de “editorias comuns às estruturas de rádio e televisão”, isto é, a fusão das duas redações.
“Entendemos que estas profundas alterações, tomadas sem auscultação dos profissionais [de Rádio ou de Televisão, consoante as declarações], nem apresentação de estudos prévios que comprovem as suas vantagens e exequibilidade, podem colocar em causa o pluralismo e a diversidade, pedras basilares do serviço público de comunicação, para além de poderem também conduzir a uma perda irreparável de qualidade e excelência nos conteúdos informativos da RTP”, dizem os comunicados, a que a Lusa teve acesso.
Decisão colide com ACT
Os jornalistas das duas redações entendem ainda que “a decisão tomada no sentido de instituir editorias comuns às estruturas de rádio e televisão colide com os deveres constantes dos conteúdos funcionais para a carreira de jornalista-redator, previstos no atual Acordo Coletivo de Trabalho”.
Os organismos de representação dos jornalistas das duas redações agendaram para sexta-feira a entrega simbólica na direção de Recursos Humanos da RTP da oposição expressa em duas declarações a duas ordens de serviço divulgadas pela administração da RTP na semana passada, numa tentativa de travar a aceitação tácita daquelas diretivas, prevista no artigo 104.º do Código do Trabalho.
Referendo dia 8
Os jornalistas da RTP reuniram-se em plenário no passado dia 30, no qual demonstraram "grandes reservas" quanto à "convergência de redações da rádio e da televisão", proposta pela administração, e manifestaram o receio de que o novo "caminho organizacional" abra a "possibilidade de despedimentos futuros", e lamentam o facto de o Conselho de Administração ter avançado com medidas de alteração de funcionamento da informação sem ter auscultado a redação.
O Sindicato dos Jornalistas também se manifestou contra editorias únicas na RTP e RDP, considerando que estas são “vias diretas para o despedimento maciço”, para além de porem em causa a diversidade informativa.
Os jornalistas da Antena 1 decidiram ainda levar a referendo, no dia 8, a decisão da administração.