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Conselho Holandês para os Refugiados denuncia condições “desumanas” nos centros

Nos centros de acolhimento holandeses faltam condições básicas. Há centenas de pessoas a viver às portas acampadas na esperança de entrar. Exige-se acesso a água potável, duches, privacidade, alimentação adequada e cuidados de saúde.
Pessoas caminham perto do Centro de Acolhimento de Refugiados de Ter Apel. Foto de Directie Voorlichting/Flickr.
Pessoas caminham perto do Centro de Acolhimento de Refugiados de Ter Apel. Foto de Directie Voorlichting/Flickr.

Um centro de refugiados com centenas de pessoas à porta, a viver em tendas colocadas sobre um chão lamacento, à espera. Este cenário não é na Síria ou noutro qualquer ponto do Sul global mas bem no coração da Europa, mais particularmente em Ter Apel, no norte da Holanda.

A situação é denunciada pelo Conselho Holandês para os Refugiados que acrescenta que noutros centros de acolhimento de refugiados do país também faltam condições básicas. A instituição processou mesmo o Estado por causa das condições “desumanas” de acolhimento.

À Reuters, Martijn Van der Linden, porta-voz da organização, afirma: “num campo de refugiados numa zona de conflito não há outra escolha. Na Holanda não temos uma crise de refugiados. Há uma crise política que resultou em que as pessoas fossem obrigadas a dormir fora de Ter Apel”.

Esta é prova de que “o nosso governo falhou nos últimos anos”. E falhou porque estas condições “desumanas que também violam as diretrizes europeias para os refugiados” são causadas por cortes no financiamento e falta de pessoal. Faltam milhares de camas, explica este responsável: “todos os locais estão cheios e centenas de pessoas chegam todos os dias. Até ao final do ano serão precisas 51.000 camas mas há apenas 45.000”. A situação nos centros destinados aos ucranianos que fogem da guerra, e que não precisam de requerer o estatuto de refugiado, é de momento um pouco melhor mas estes estão também quase cheios, diz o Conselho Holandês para os Refugiados.

O caso que será julgado em tribunal exige que os refugiados tenham acesso a água potável, duches, privacidade, alimentação adequada e cuidados de saúde.

A agência noticiosa internacional conta o caso de Munasar Muhidin. O somali de 18 anos fugiu do seu país em 2020 depois de fundamentalistas islâmicos terem morto a sua mãe, o seu pai e o irmão mais velho. Ele e outro irmão conseguiram escapar mas este morreu afogado na tentativa de alcançar à segurança na Europa. Chegado à Holanda, Muhidin ficou preso na fila de espera de centenas de pessoas em Ter Apel. Vive agora acampado às portas do local numa tenda encharcada.

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