Há protestos e greves de professores a acontecer um pouco por todo o país. E são tantos e tão dispersos que o sindicato que convocou uma greve durante todo este mês não sabe onde estão a decorrer nem a sua duração. Ao Diário de Notícias, Pedro Xavier, do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação, STOP, declarou que as paralisações afetam “quase todos os concelhos do país”, admitindo que “é um pouco difícil indicar os números, porque dependemos da comunicação das escolas” mas assegura “que há escolas encerradas ou trabalhadores a fazer greve a tempo parcial, em que as atividades não decorrem por inteiro. Há inclusive concelhos em que as escolas fecharam na totalidade, algumas por vários dias e até um mês, inclusive”. Na forma de luta escolhida, a decisão sobre a marcação e a duração da greve depende dos professores de cada uma das escolas. A esta forma de greve juntam-se ainda dezenas de outros protestos convocados de forma descentralizada por outras forças sindicais, nomeadamente a Fenprof, e outras mobilizações variadas espontâneas.
Numa ronda por aquilo que está a acontecer em alguns pontos do país, aquele jornal destaca protestos em Viana do Castelo, com 120 profissionais da educação a concentrar-se nesta terça-feira em defesa da escola pública e por melhores condições salariais, em Torres Vedras, onde perto de 150 docentes fizeram um cordão humano em frente ao Agrupamento de Escolas Madeira Torres, em Setúbal, onde “dezenas de elementos da comunidade educativa da Escola Secundária Dom Manuel Martins” se concentraram na entrada da escola.
Mas basta uma consulta a alguns meios de comunicação social locais para se perceber que o fenómeno é bem mais alargado e que um quadro exaustivo é difícil de fixar. Esta terça-feira, segundo a Rádio Portalegre, um grupo de docentes concentrou-se à porta da Escola José Régio, em Portalegre, porque se sentem “injustiçados” na questão da contagem do tempo de serviço, porque estão contra a municipalização da Educação, querem um “recrutamento transparente de professores” e “uma escola pública de qualidade”. Na manifestação estiveram presentes dirigentes do Sindicato dos Professores da Zona Sul.
Também na terça-feira, segundo a Rádio Alto Minho, para além da concentração já referida em Viana do Castelo, houve greves na escola Básica do Carmo, na Abelheira e no Monte da Ola. Esta escola básica e secundária está mesmo fechada há três dias por causa da greve, havendo cartazes a defender “Dignidade”, “Valorização”, “Respeito”, “Educação : Pilar do Futuro” e “Aumento de salários que compense a inflação”. Também aí as escolas de Frei e Carmo continuaram uma greve entre 08:30 e as 09:15, refere o jornal O Minho, que acrescenta a informação de greves na Escola Secundária Martins Sarmento, em Guimarães, e nos Agrupamento Escolar de Maximinos em Braga. Ao todo terão fechado seis estabelecimentos escolares em Braga, nomeadamente a Escola Secundária, a EB 2,3 Frei Caetano Brandão, a EB 1 da Gandra e as EB 2,3 Francisco Sanches de Nogueira e de Alberto Sampaio, para além da EB1 de Arcos.
Segundo o Setubalense, para a além da Escola Secundária D. Manuel Martins, que “ficou ‘tingida’ de negro na manhã desta terça-feira, devido às tarjas e cartazes de protesto, também se encontram em greve no concelho de Setúbal diversos estabelecimentos de ensino do Agrupamento das Escolas Ordem de Sant’Iago, fala-se num “sentimento de injustiça generalizado” numa perda da “vocação científica e cultural [da escola] em benefício da burocratização”.
No mesmo dia, diz o Região de Leiria, “centenas de docentes continuam a manifestar-se em frente às escolas e autarquias da região de Leiria em defesa de melhores salários, da rejeição da intervenção dos municípios no processo de recrutamento para as escolas, da extinção do quadro de escola, entre outras reivindicações”. A Escola José Saraiva, na Cruz da Areia, em Leiria, esteve encerrada, tal como antes já tinha estado várias vezes durante este processo de luta.
O Agrupamento de Escolas Ferreira de Castro, em Mem Martins, também fechou, aponta o Correio da Manhã. Assim como a Escola Soeiro Pereira Gomes, em Alhandra, de acordo com a Rádio Valor Local e das escolas básicas e secundárias de Carregal do Sal, segundo o Jornal do Centro. No Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho, em Valença, houve greve de docentes, não docentes e alunos aderiram à greve e manifestação, como se vê nas imagens da Alto Minho TV.
Os professores da Escola Secundária de Baião uniram-se à manifestação contra a alegada falta de investimento do Governo na educação. O jornal A verdade conta que em Baião houve também concentração, para além de haver greves em vários agrupamentos da região como Marco de Canaveses, Baião, Cinfães, Penafiel e Amarante, diz Jorge Pinheiro, do Sindicato Independente de Professores e Educadores. Em Olhão, “mais de 100 professores e alunos protestaram e “várias escolas do Algarve” encerraram, indica o Região Sul.
Houve ainda concentração de professores na Escola Secundária Infanta Dona Maria, em Coimbra, revela o Diário de Coimbra. No Barreiro, os professores do Agrupamento dos Casquilhos que também fizeram um plenário organizado pelo SPGL, escrevem em coluna no Rostos. Também em coluna, mas na Centro TV, os docentes do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital dão conta das razões que os fizeram juntar-se. Na Mealhada, onde neste agrupamento de escolas se juntaram ainda professores da EB2 da Pampilhosa e do 1.º Ciclo do Ensino Básico da Antes diz o Bairrada Informação. E em Torres Vedras, protesto em frente às escolas São Gonçalo, Madeira Torres, Henriques Nogueira e Vítor Melícias, informa a RTVON. E arruada pelas ruas de Famalicão, como mostra a FamaTV.
O Jornal de Notícias informa que no concelho de Cinfães só duas em oito escolas abriram portas na terça-feira, onde também houve concentração. Na sede do agrupamento “só os diretores é que entraram ao serviço”. Os restantes professores fizeram greve, levando ao fecho do estabelecimento de ensino.
O Diário do Distrito, por sua vez, dá conta que os professores de Sesimbra concentraram-se em frente a escola de Sampaio, fazendo greve. Um dos organizadores, Rui Castro, professor de história, afirmou que entre as preocupações centrais estava “a recuperação do nosso tempo de serviço, que nos foi retirado no tempo da Troika, em que perdemos [neste momento] seis anos de serviço” e “também a questão das progressões na carreira e a avaliação”.
E as greves continuam hoje
Já esta quarta-feira, o movimento continua. O Notícias ao Minuto assinala o encerramento da Escola Básica António Correia de Oliveira, em Esposende, tendo Elisabete Lamela, uma das participantes, destacado também, para além da recuperação do “tempo de serviço que nos roubaram”, a preocupação com a municipalização do ensino. Logo pela manhã, as televisões transmitiram em direto os protestos de professores e funcionários à porta de escolas em Mem Martins, no concelho de Sintra, e na Arrentela, no concelho do Seixal.
O Notícias de Coimbra informa que professores e “cerca de duas centenas de alunos” do Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, em Coimbra, se concentraram em frente ao estabelecimento de ensino. O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores esteve presente disse que em Coimbra “quase a totalidade das escolas estão a ter concentrações”.
A Voz da Planície revela que durante os próximos dois dias haverá concentrações nos dois agrupamentos escolares de Beja.
As duas secundárias de Abrantes, a Solano de Abreu e a Manuel Fernandes, continuam a ter concentrações a porta neste dia, publica o Jornal de Abrantes. E na Lourinhã este é o segundo dia de greve dos professores do concelho que também fazem concentrações em frente às escolas como consta do Alvorada. Também pelo segundo dia consecutivo a escola sede do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros encerrou numa greve também de funcionários, tendo havido também greve em Torre de Moncorvo, escreve o Mensageiro de Bragança. E no Jornal do Centro ficamos a saber que “grande parte os docentes fez greve nas duas primeiras horas da manhã” no Agrupamento de Canas de Senhorim, em Nelas, onde também houve concentração.
Acampamento da Fenprof
Ao mesmo tempo, a Fenprof organiza um acampamento em frente ao Ministério a Educação até à próxima sexta-feira. E Mário Nogueira esclarece que este acontece porque “mais do que reuniões” é preciso resolver problemas. A 18 e 20 de janeiro decorrerá a próxima ronda negocial com o governo e o dirigente sindical sublinha que esta tem de “servir para reverter a rota de desvalorização que está a afastar os jovens já professores ou ainda à procura de emprego”. Pretende-se ainda que o governo recue na proposta sobre concursos. Por isso, a frente sindical em que participa com mais sete sindicatos organizará entre 16 de janeiro e 8 de fevereiro greves rotativas por distritos.
A primeira noite deste acampamento ficou marcada pelo frio, com os professores presentes a recorrer a cobertores e aquecedores para resistir, mas também por música, poesia e debates sobre a educação.
Marcha este sábado, outra manifestação dia 11 de fevereiro
O STOP tem ainda marcada uma “marcha nacional pela escola pública” para este sábado em Lisboa. De acordo com esta estrutura sindical pretende-se reunir professores, trabalhadores não docentes, estudantes e encarregados de educação por melhores condições de ensino.
A Fenprof e as outras organizações da frente sindical de professores têm marcada outra manifestação para o próximo dia 11 de fevereiro.
Um apelo à convergência das lutas
As diferentes mobilizações dos sindicatos fizeram com que um grupo de professores tenha lançado um apelo público, intitulado, “Unidos somos imparáveis”, que procura promover o diálogo entre organizações sindicais para fortalecer a luta que tem parado as escolas nas últimas semanas. Querem portanto que as manifestações de 14 de janeiro e 11 de fevereiro possam juntar todos os sindicatos. O texto, promovido por docentes sindicalizados em várias estruturas de norte a sul do país, está disponível aqui para ser assinado online.
Notícia em atualização, informações complementares para [email protected].