Conferência "Right to Work" responde à agenda conservadora

27 de maio 2010 - 13:25

A defesa do sector público e o combate à precariedade foram os temas da conferência que reuniu centenas de delegados em Londres. Artigo de Joana Oliveira Pinto, em Londres.

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A Conferência Right to Work contou com a participação de Tiago Gillot, do Bloco de Esquerda

Após o resultado das eleições britânicas e a tomada de posse de um governo de coligação conservador e de agenda neoliberal, realizou-se em Londres, no passado dia 22, uma conferência de emergência convocada pela organização Right to Work.  



A Right to Work (Direito ao Trabalho) congrega vários sindicatos e organizações e tem como objectivo a protecção eficiente e a luta de massa pelos interesses dos trabalhadores no Reino Unido.  



Com a investidura do novo governo Britânico e o subsequente anúncio das drásticas medidas de contingência e cortes na função pública, a Right to Work viu como necessária uma reunião extraordinária na qual os participantes e delegados contribuíssem para um plano de acção imediato em defesa do sector público.



Editor do jornal Socialist Worker e organizador do evento, Chris Bambery define a Right to Work como "uma luta contra as perdas de postos de trabalho e o desemprego, mas também contra os impostos, os ataques gerais aos trabalhadores, estudantes e reformados, aqueles em postos de trabalho precário, imigrantes... todos aqueles que se vêem confrontados com a austeridade que se tem vindo a implantar na Europa".



A conferência, que contou também com a presença e participação de Tiago Gillot, do Bloco de Esquerda, foi assistida por mais de 600 pessoas e incluiu entre os oradores principais os deputados Jeremy Corbyn e John McDonnell, a activista grega Tiana Andreou e um dos recentes grevistas da companhia aérea British Airways, a quem, por razoes de segurança, se deu o nome de Dave.



Grande parte das decisões tomadas pela conferência foram de apoio a várias iniciativas e protestos nacionais e locais. Foi, no entanto, também aprovada uma moção pela organização e convocação geral da manifestação no próximo congresso nacional do partido conservador, a ter lugar em Birmingham no dia 3 de Outubro deste ano.



Após a última sessão, a conferência tomou um rumo diferente, quando cerca de 200 membros do partido afiliado à Right to Work, o Socialist Workers Party, e alguns membros do público, se reuniram em frente aos escritórios da ACAS (Advisory, Conciliation and Arbitration Service), um órgão de gestão de disputas entre empregados e entidades empregadoras. Mais de 80 pessoas foram assim capazes de interromper em protesto as negociações entre o director geral da British Airways, Willie Walsh, e sindicalistas da UNITE the Union (sindicato representante de grande parte dos grevistas da BA).



Como Bambery comunicou ao esquerda.net: "Há que resistir. Acreditamos que a crise económica que vivemos não foi causada por nós (...) e não vemos porque temos que pagar por ela."  



Bambery acredita que a oposição é o único caminho. Para isso há que fazer uma aliança de resistência e há que ser, como repetidamente afirma, "resistência a grega".