Condenação global do massacre em alto mar

01 de junho 2010 - 2:15

Aumenta o protesto internacional contra o ataque israelita à flotilha de ajuda humanitária para Gaza. Trata-se de "terrorismo de estado desumano", diz o primeiro-ministro da Turquia, país de origem da maioria dos activistas.

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Muitas capitais europeias assistiram ao protesto horas depois do massacre. Foto Christian González García/Flickr

"É uma acção totalmente contrária os princípios do direito internacional, é um terrorismo de Estado desumano. Ninguém pode achar que vamos ficar calados perante isto", declarou Recep Tayyip Erdogan no Chile, onde cancelou o resto da visita à América Latina.



Também o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, condenou o "banho de sangue" e pediu "explicações urgentes" a Israel. "Estou impressionado com os relatos sobre os mortos e feridos nos barcos enquanto levavam abastecimento a Gaza, aparentemente em águas internacionais. Condeno essa violência", disse o secretário-geral da ONU, que reuniu de emergência o Conselho de Segurança para discutir o massacre israelita em alto mar.

Da reunião saiu um comunicado condenando os actos que resultaram na morte de civis, apelando à libertação dos civis ainda presos e à entrega da ajuda humanitária ao destino previsto, Gaza. Um porta-voz do secretário-geral da ONU  afirmou ainda que "este banho de sangue podia ter sido evitado se Israel ouvisse os apelos para o fim dum bloqueio contraprodutivo e inaceitável" a Gaza.



Nesta reunião, o repesentante turco afirmou que Israel "perdeu toda a legitimidade internacional".  Em termos simples, isto equivale a banditismo e a pirataria, ao assassínio de Estado", acrescentou o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Ahmet Davutoglu.



Vários governos decidiram chamar os diplomatas israelitas para obter explicações oficiais e a Grécia cancelou a visita do comandante da Força Aérea de Israek, bem como o exercício militar conjunto previsto para Creta.



Os representantes dos países da UE aprovaram também uma condenação comum do massacre. "A União Europeia condena o uso da violência que provocou um grande número de vítimas entre os membros da frota e pede uma investigação imediata, completa e imparcial sobre esses fatos e suas circunstâncias", diz o texto comum.



Israel tem mantido em segredo o número de vítimas mortais e de feridos. Um canal de televisão israelita divulgou a existência de 19 mortes e dezenas de feridos, enquanto a generalidade a imprensa internacional fala em pelo menos dez vítimas mortais. Segundo o diário inglês "Guardian", aos activistas ainda detidos está a ser proposta a deportação imediata para o país de origem, ou em alternativa o julgamento em Israel.



O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou o ataque com o argumento de "legítima defesa" e o exército divulgou dois vídeos onde se vê o assalto militar a um dos barcos e as "armas" na posse activistas: berlindes, fisgas e cabos de vassoura.