O Governo prepara-se para entregar os segmentos mais rentáveis da ferrovia nacional ao setor privado, mantendo na esfera pública apenas os custos e as operações deficitárias, e o grupo Barraqueiro já assumiu interesse na exploração de várias linhas suburbanas da CP.
Em comunicado, a distrital do Bloco de Esquerda de Setúbal diz que “o que o Governo pretende não é modernizar a ferrovia, mas sim entregar um negócio lucrativo a terceiros, enquanto o Estado continua a pagar a manutenção das vias e a suportar os investimentos pesados”. Ou seja, o modelo proposto traduz-se numa “privatização disfarçada onde o risco é público e o lucro é privado”.
Para o Bloco/Setúbal, o exemplo da Fertagus, marcado por “comboios sobrelotados, falta de conforto e atrasos persistentes que impedem, frequentemente, os utilizadores de sequer conseguirem embarcar”, mostra como as subconcessões não servem os interesses dos passageiros.
Em alternativa, a distrital bloquista defende que “é imperioso implementar uma política que priorize o interesse público e reforce a ferrovia nacional”, o que “exige não só a concretização da compra de novos comboios, mas também o fortalecimento da manutenção e produção de material circulante”.