Segundo o responsável pelo Instituto da Droga e Toxicodependência, organismo que o Governo quer transformar em direcção-geral e tirar autonomia, o último pagamento efectuado diz respeito ao mês de Julho. As comunidades recebem 720 euros por mês por cada toxicodependente internado, o que representa 80% do custo do internamento, ficando os restantes 180 euros a cargo do doente ou, em caso de insolvência, da Segurança Social.
Em declarações ao jornal Público, João Goulão diz que com o atraso no pagamento apenas os casos de maior gravidade têm sido admitidos nos últimos meses. "Estas entidades estão a ficar asfixiadas do ponto de vista financeiro", diz o presidente do IDT, sublinhando que "estas respostas terapêuticas têm tido bons resultados" e que retirar este apoio significa "correr o risco de voltarmos aos níveis de dependências que tínhamos há dez ou quinze anos".
"Infelizmente, é uma situação que nos transcende. Assumimos compromissos com os nossos parceiros que esperávamos cumprir com uma componente importante do nosso financiamento que vem dos jogos sociais. Porém, essas verbas não chegaram e, por isso, não temos forma de satisfazer o pagamento aos centros atempadamente. Nunca nos passou pela cabeça que não teríamos este dinheiro", admite João Goulão.
Por sua vez, mais uma dezena de comunidades terapêuticas apelaram à tutela para que a situação seja regularizada o quanto antes. "Queremos defender a continuidade desta resposta perante o risco de deixarmos de ter comunidades terapêuticas", diz Carlos Fugas. "Esta população não permite adiamentos. Nós estamos a recebê-los na mesma - caso contrário, as pessoas cairiam no desespero -, mas há muitos centros que já não estão a admitir pessoas", denuncia o director clínico da comunidade terapêutica Lugar da Manhã.
Comunidades terapêuticas em risco de fechar
10 de novembro 2011 - 12:23
Desde Agosto que o Estado não faz o pagamento da comparticipação do tratamento de toxicodependentes às comunidades terapêuticas. "Muitas podem ser forçadas a fechar as portas e pôr os doentes na rua", diz o presidente do IDT.
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"Nunca nos passou pela cabeça que não teríamos este dinheiro", admite João Goulão. Foto EMCDDA/Flickr