A venda de álcool nos recintos desportivos brasileiros estava proibida desde 2003.
Problema: A Budweiser é um dos principais patrocinadores da FIFA, e queria vender as suas cervejas nos estádios durante o campeonato.
Uma lei votada por um parlamento de um lado. Do outro, os interesses comerciais de uma organização privada. O que aconteceu?
A FIFA deixou clara a sua posição com estas declarações públicas de Jerome Valcke, secretário geral:
“As bebidas alcoólicas são parte da Copa do Mundo da FIFA, pelo que elas vão estar disponíveis. Desculpem-me por parecer um pouco arrogante mas é algo que não vamos negociar”.
E assim foi. O Congresso do Brasil aprovou em março de 2012 a lei que permite voltar a vender cerveja nos estádios. A Presidenta ratificou essa legislação três meses depois contra a vontade do seu próprio Ministro da Saúde.
Numa reunião celebrada em Brasília noticiada pela Bloomberg News, executivos da Budweiser e Coca-Cola persuadiram ainda o governo brasileiro a adiar o aumento dos impostos das bebidas (que já tinha sido anunciado) até depois do Mundial.
As associações médicas brasileiras protestam há meses contra a subjugação do governo ante a FIFA: “preocupa-nos que se perpetue entre os meninos essa relação automática entre futebol e álcool”.
A FIFA tem outras prioridades, os manifestantes no Brasil tratam de recordar-nos disso nestes dias.