Combustíveis fósseis matam 1,2 milhões de pessoas por ano

28 de outubro 2022 - 8:30

Um estudo publicado na revista científica The Lancet faz as contas aos efeitos mortais do "vício em combustível fóssil" da sociedade atual.

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Foto joiseyshowaa/Flickr

A queima de carvão, petróleo e gás natural está a matar 1,2 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, conclui o estudo divulgado esta quarta-feira e publicado pela revista The Lancet. Além da dependência da sociedade atual em relação aos combustíveis fósseis estar a degradar a saúde pública no planeta, as alterações climáticas são responsáveis por um aumento das mortes devido à fome e ao calor, acrescenta o relatório global de 2022 da Lancet Countdown.

Calcula-se que os fenómenos climáticos extremos que aumentam com as alterações climáticas tenham trazido a fome a quase 100 milhões de pessoas a aumentado a morte por calor em 68% nas populações mais vulneráveis.

“A nossa saúde está à mercê dos combustíveis fósseis”, refere Marina Romanello, investigadora de saúde e clima da University College of London e directora executiva da Lancet Countdown, citada pela agência Lusa.

“Estamos a ver um vício persistente em combustíveis fósseis que não está só a aumentar os impactos das alterações climáticas na saúde, mas que agora também está a somar-se a outras crises simultâneas que estamos a enfrentar globalmente, incluindo a pandemia da covid-19, a crise do custo de vida, a crise energética e a crise alimentar, que foram desencadeadas após a guerra na Ucrânia”, prosseguiu Romanello.

Em reação à publicação deste estudo, o secretário-geral da ONU foi mais longe nas conclusões que dele se podem extrair. “A crise climática está a matar-nos”, afirmou António Guterres, que tem chamado a atenção para a falta de vontade e ação por parte dos decisores políticos em se libertarem dos combustíveis fósseis e assim permitirem o cumprimento das metas necessárias para evitar a catástrofe climática anunciada para as próximas décadas.

As mensagens deste relatório vão no mesmo sentido, ao denunciarem que os "governos e empresas continuam a dar prioridade aos combustíveis fósseis em detrimento da saúde das populações, pondo em risco um futuro habitável". Enquanto financiam com centenas de milhares de milhões de dólares anuais os projetos da indústria fóssil, "em montantes comparáveis aos seus orçamentos totais para a Saúde", "uma profunda falta de financiamento compromete uma transição justa para uma energia acessível, saudável e sem carbono", aponta o relatório.

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