Combate à pobreza exige mudanças sociais, diz Bruto da Costa

16 de setembro 2010 - 13:13

O presidente da Comissão Nacional de Justiça e Paz (CNJP) diz que as políticas de combate à pobreza são ineficazes, por não poderem alterar privilégios, nem a desigualdade social.

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Combate à pobreza exige “bulir com situações de privilégios intoleráveis que convivem e contrastam com situações de pobreza e de miséria” - Foto de Paulete Matos

O presidente da CNJP, Alfredo Bruto da Costa, fez estas declarações na quarta feira, numa intervenção na XXVI Semana da Pastoral Social, em Fátima.

Bruto da Costa disse que analisando a evolução da pobreza em Portugal nos últimos dez anos, “ficamos a saber que a nossa pobreza é persistente, ou que o número de pobres que se libertam é igual ao dos pobres que caíram na pobreza”.

O presidente da CNJP, considera que as políticas de combate à pobreza são ineficazes e o impacto da Acção Social, sendo “apreciável e necessário”, é na verdade “muito diminuto”.

Segundo Bruto da Costa, contribuem para esta ineficácia diversos factores, sendo “o mais importante” a “limitação que os programas e políticas de luta contra a pobreza têm, de não poderem afectar privilégios, nem o padrão de desigualdade que caracteriza a sociedade portuguesa”, pelo que “tudo quanto se faz neste domínio é periférico e não toca nas causas da pobreza”.

Outra questão que contribui para a falta de eficácia no combate à pobreza deve-se, segundo o presidente da CNJP, a “problemas de privação e não atingir o problema da falta de recursos, que está por detrás da privação”.

Bruto da Costa lembrou também, segundo o “Jornal de Notícias”, que a pobreza “não é um problema periférico”, nem “um fenómeno casual”, mas uma questão “estrutural da sociedade, pelo que salienta que o verdadeiro combate à pobreza “exige mudanças sociais, que vão necessariamente bulir com situações de privilégios intoleráveis que convivem e contrastam com situações de pobreza e de miséria”.