"Com decisão do TC, ficámos sem lei de limitação de mandatos"

07 de setembro 2013 - 23:49

O Tribunal Constitucional decidiu também dar luz verde aos autarcas que se recandidatam a uniões de freguesias que já presidiam antes da recente mudança do mapa autárquico. Catarina Martins lamentou que o país tenha ficado sem uma lei de limitação de mandatos e o constitucionalista Jorge Miranda também defende uma lei que impeça a itinerância dos autarcas dinossauros.

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Foto Paulete Matos

“Essa decisão coloca-nos um novo problema político (…) que é ficarmos sem uma lei de limitação de mandatos em Portugal. Ou seja, a lei de limitação que temos não é imune aos expedientes para manter alguém como presidente da câmara toda a vida seja pela itinerância, seja por esta alteração administrativa dos limites das freguesias”, afirmou Catarina Martins à agência Lusa, à margem da apresentação das listas de candidatos do Bloco de Esquerda à câmara de Lisboa.

Com a interpretação que o Tribunal fez da lei de limitação de mandatos, um presidente de Câmara pode ser eleito consecutivamente e ocupar o lugar para o resto da vida, tendo em conta que lhe basta mudar para o concelho ao lado quando atinge os três mandatos, podendo regressar ao primeiro no fim dos outros três e assim sucessivamente.

Para Catarina Martins, o assunto tem de  regressar ao Parlamento, com o Bloco a apresentar uma proposta "que verdadeiramente limite os mandatos" e acabe com a situação que vivem hoje os eleitores de mais de uma dezena de concelhos, entre os quais Porto e Lisboa, onde se candidatam pelo PSD dois autarcas-dinossauros.

Jorge Miranda também quer nova lei de limitação de mandatos

O constitucionalista Jorge Miranda revelou-se "surpreendido" com a decisão do Tribunal em dar luz verde à candidatura de presidentes de junta com mais de três mandatos a freguesias que se uniram com a reorganização das freguesias. "Na lógica da primeira decisão do TC e na lógica da lei de limitação de mandatos, não deveria ser permitido que alguém que tivesse sido presidente da junta de freguesia, integrada agora numa nova freguesia, pudesse vir a candidatar-se a presidente dessa mesma nova freguesia", declarou à agência Lusa-

Jorge Miranda defendeu em declarações à TSF que “a Assembleia da República devia fazer uma lei nova com, pelo menos, duas novas regras - a proibição de candidatura em qualquer autarquia, e não apenas na mesma, no mandato seguinte, bem como a proibição de candidatura para outros órgãos da mesma autarquia local”.