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Colômbia: Duque recuou na legislação mas avançou na repressão

O presidente colombiano recuou na polémica reforma fiscal mas as manifestações continuaram, exigindo também a retirada do projeto de lei que privatiza a saúde. A repressão causou pelos menos 19 mortos, 800 feridos e há 87 pessoas desaparecidas.
Manifestantes em Bogotá. Foto de Carlos Ortega/EPA/Lusa.
Manifestantes em Bogotá. Foto de Carlos Ortega/EPA/Lusa.

Uma semana depois, as manifestações contra o governo de Iván Duque continuam. O presidente colombiano tinha avançado com uma reforma fiscal que penalizava as camadas populares, o que gerou greves e protestos massivos. Dias depois, foi obrigado a recuar, retirando o projeto, ao mesmo tempo que Alberto Carrasquilla, o seu ministro das Finanças se demitia, mas os manifestantes não ficaram satisfeitos. Exigem medidas como o reforço do plano de vacinação, um rendimento mínimo, num país em que 42,5% da população está abaixo do limiar da pobreza, a retirada de um outro projeto lei que dizem que privatizará a saúde e o desmantelamento da polícia anti-motim que tem estado a ser acusada de inúmeras violações dos direitos humanos.

Para além desta, o governo mandou também o exército para a rua para terminar com as manifestações, alegando uma “ameaça terrorista”, nas palavras de Diego Molano, ministro da Defesa que acusa sem apresentar provas “atos organizados e financiados por dissidências das FARC e do ELN”, as antigas guerrilhas que aceitaram entrar num processo de paz.

O balanço até ao momento são 19 mortos, mais de 800 feridos e 87 pessoas desaparecidas. A lista de pessoas desaparecidas foi divulgada pela Defensoría del Pueblo, um organismo dependente do Ministério Público e que tem como objetivo zelar pelo cumprimento dos direitos humanos no país. O maior número de desaparecidos, 35, é de Cali, onde os protestos têm sido mais acesos.

Enquanto o governo fala em vandalismo e assaltos a esquadras, várias organizações contam uma versão diferente dos acontecimentos. O Gabinete da ONU para os Direitos Humanos manifestou-se “profundamente alarmado” com o que se está a passar e denunciou o “uso excessivo da força”, nomeadamente a utilização de “munições reais” que “matou e feriu várias pessoas”. A sua missão no país revelou a existência de “ameaças e agressões por parte da polícia” contra um grupo de defensores dos direitos humanos no qual estavam incluídos membros seus.

Para além dos tiros, denuncia-se que a polícia de intervenção carregou contra manifestantes com motociclos.

A Organização Não Governamental colombiana Temblores tem até um balanço mais pesado do que os números oficiais: 31 mortos. Assim como o Comité Nacional de Greve, a organização que começou por convocar os protestos, que na passada segunda-feira já tinha informações de 27 mortes. Este grupo contabiliza também 726 prisões arbitrárias e seis atos de violência sexual.

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