A agenda de campanha de Mariana Mortágua passou esta quarta-feira de manhã por Oeiras, onde o Bloco volta a integrar com o Livre, o Volt e o movimento de cidadãos Evoluir Oeiras a coligação liderada por Carla Castelo. A vereadora independente foi neste mandato a única oposição a Isaltino Morais, após este ter cooptado o PSD e o PS para a sua maioria no executivo.
“Em Oeiras temos o melhor e pior da política que existe em Portugal”, afirmou a coordenadora do Bloco aos jornalistas, destacando pela positiva esta coligação cidadã “em que a essência são os cidadãos e não os partidos” e pela negativa a existência de “um líder todo-poderoso que distribui favores e compra votos como bem entende, que asfixiou qualquer ilusão de democracia neste concelho”.
Autárquicas
Coligação Evoluir Oeiras quer reforçar “a única oposição a Isaltino”
Felizmente, sublinhou Mariana Mortágua, “há uma força de alternativa aos mandos e desmandos de Isaltino”: a coligação Evoluir Oeiras, que até “serviu de inspiração para as coligações que existem por esse país afora” e que o Bloco integra. Por tudo isso, “a Carla Castelo e este movimento merecem essa homenagem e o voto de confiança dos munícipes de Oeiras”, concluiu.
Também Rui Tavares elogiou a “coligação mais corajosa que se apresenta neste município” e que se tornou num “exemplo que se disseminou por outros concelhos”. Lembrando que “a única vereadora independente foi a única oposição no concelho”, o porta-voz do Livre ironizou a propósito das figuras de cartão que a campanha de Isaltino espalhou pela cidade com a imagem do autarca em tamanho real a acenar para concluir que “Isaltino é um tigre de papel e pode ser derrotado”.
Carla Castelo destacou os apoios que tem recolhido nos últimos dias e que vão muito para além do espaço político dos partidos representados nesta ação de campanha, dando o exemplo da ex-eurodeputada socialista Ana Gomes ou de Pedro Pestana Bastos, que em 2017 foi o candidato do CDS a Loures quando este partido rompeu a coligação com o PSD após as declarações do seu candidato André Ventura contra a etnia cigana.
Spinumviva é “elefante na sala da governação portuguesa”
Questionados sobre as últimas notícias do caso Spinumviva, que dão conta da vontade dos procuradores em avançarem para um inquérito-crime ao primeiro-ministro, nenhum dos líderes partidários se mostrou surpreendido com essa possibilidade. Para Mariana Mortágua, o caso da empresa de Montenegro sempre foi “o elefante na sala da governação portuguesa” e uma “maldição que vai perseguir o Governo e a sua credibilidade”.
A coordenadora bloquista sublinhou também a importância de que a investigação “tenha princípio, meio e fim”. Ou seja, “que a justiça faça o seu trabalho, mas que tenha prazos e critérios e que isso seja aplicado a todas as pessoas”.
Por seu lado, Rui Tavares chamou a atenção para as sucessivas contradições de Montenegro que ficaram bem à vista na reação que teve à notícia na véspera. “Nem aqui a história é a mesma durante três palavras seguidas: ele diz que está tranquilo, revoltado e estupefacto”, mostrando-se de novo incapaz de “nos contar uma história a direito do princípio ao fim”.
“Luís Montenegro não tem uma relação com a verdade, tem um caso com a verdade. Não é um caso muito sério, mas é com isto que temos de conviver”, prosseguiu.