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“Colapso sem precedentes” na atividade económica. E agora?

Um “colapso sem precedentes”: é assim que é descrito o impacto que o surto de Covid-19 já está a ter nas principais economias mundiais. A quebra é maior na zona euro. Que respostas estão a ser dadas?
Fila do supermercado
Fila para entrar no supermercado em Bruxelas. Foto Dati Bendo/União Europeia ©

Um “colapso sem precedentes”: é assim que é descrito o impacto que o surto de Covid-19 já está a ter nas principais economias mundiais, com destaque para a zona euro. Os dados revelados ontem pela IHS Markit revelam que a atividade económica nos EUA, zona euro e Reino Unido sofreu uma forte quebra . O indicador PMI utilizado é construído com base em inquéritos aos gestores de compras de 400 empresas em diversos países, medindo os níveis de atividade tanto na indústria como nos serviços.

Indicador PMI. Gráfico publicado na The Economist.

A The Economist destaca a diminuição drástica do número de voos, viagens, idas aos restaurantes e outras atividades de lazer como sendo o primeiro sinal do impacto que as economias estão a ter devido às medidas de distanciamento social. O Financial Times aponta também para a quebra das audiências nos cinemas e teatros, além da redução do tráfico nas estradas. Mas a verdade é que as medidas de isolamento estão a afetar quase todos os setores de atividade. A perspetiva de estas medidas se poderem prolongar durante alguns meses justifica o receio de uma profunda recessão como resultado do combate à pandemia.

Na zona euro, o indicador PMI caiu de 51,6 pontos (Fevereiro) para 31,4 pontos (Março), atingindo um mínimo histórico. A dimensão do colapso aumentou a expectativa sobre as conclusões da reunião do Eurogrupo, onde os 19 ministros das Finanças da zona euro procuravam chegar a acordo sobre os próximos passos. O desfecho, contudo, foi outro: as divergências entre os países do norte (com a Alemanha e a Holanda à cabeça) e os países do sul (Portugal, Espanha, Itália, Grécia) voltaram a marcar o encontro, sendo que os países não foram capazes de chegar a acordo e produzir um comunicado conjunto.

A única conclusão foi a de que existe um “amplo” acordo sobre a possibilidade de os países recorrerem a linhas de crédito no valor de 2% do respetivo PIB, no âmbito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE). Para Portugal, este valor corresponde aproximadamente a 4200 milhões de euros. O crédito será concedido aos países que enfrentarem dificuldades, nos termos da Enhanced Conditions Credit Line (ECCL), o que significa que os países ficarão sujeito a condições associadas (ainda por definir). É isso que motiva alguma desconfiança dos países do sul, dado que a memória da condicionalidade associada aos programas de resgate da última crise – austeridade, cortes na despesa pública e aumentos de impostos – continua bem viva. Já sobre a emissão de “coronabonds”, um dos assuntos que tem sido mais discutido recentemente, a reunião foi inconclusiva.

As atenções passam agora para o Conselho, que tem uma videoconferência marcada para a próxima quinta-feira (26 de Março), onde se discutirão os próximos passos numa zona euro que tarda em apresentar uma resposta conjunta à pandemia.

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