Climáximo bloqueia refinaria da Galp em Sines

18 de novembro 2021 - 16:31

Uma centena de ativistas da Climáximo promovem uma ação de desobediência civil não violenta na infraestrutura que “produz mais poluição” no país. Querem um encerramento planeado e gradual até 2025 que defenda os trabalhadores e comunidades afetadas.

PARTILHAR
Ativistas da Climáximo frente à refinaria de Sines. Foto da Climáximo.
Ativistas da Climáximo frente à refinaria de Sines. Foto da Climáximo.

Cerca de uma centena de ativistas da organização pela justiça climática Climáximo bloquearam na tarde desta quinta-feira a refinaria de Sines da Galp. Os ativistas dizem que esta é a infraestrutura “que produz mais emissões em Portugal” e exigem menos emissões, uma transição justa e democracia energética.

Pretendem assim um encerramento “planeado e gradual” até 2025 com “um plano de transição justa baseado num diálogo social que privilegie os trabalhadores e as comunidades afetadas”. E acreditam que isso é “algo que nunca acontecerá com a Galp e o Governo ao leme, como o prova o fecho da Refinaria de Matosinhos”.

Esta ação de desobediência civil não violenta passou primeiro por uma entrada nas instalações e em seguida por um bloqueio pacífico da sua entrada. Integra a campanha “Collapse Total”, cujo objetivo é, nesta semana, “causar disrupção à Total Energies e empresas líderes na produção de combustíveis fósseis”.

Durante a entrada nas instalações, Danilo Moreira, do Sindicato dos Trabalhadores de Call Centers, segundo declarações à Sábado, foi identificado pela polícia, algemado e levado para uma carrinha, tendo depois sido libertado. Ao mesmo órgão de comunicação social, Cristiano Morato, outro dos manifestantes, explicou que “sabíamos que íamos ter resistência à entrada e esta era a única maneira de conseguir entrar e quebrar a barreira. Queríamos entrar para entregar papéis aos trabalhadores com a nossa proposta.”

A Climáximo quer responsabilizar a Galp e envolver trabalhadores e comunidades afetadas. Lutam ainda pela “garantia imediata de emprego público ou reforma, sem perda de rendimentos, para todos os trabalhadores diretos ou indiretos da refinaria”.

Trabalhadores querem fazer uma “frente” com ambientalistas para a descarbonização

E estes mesmos trabalhadores respondem ao apelo ambientalista com a proposta de unir esforços. Ainda antes do protesto começar, a Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal tinha emitido um comunicado em que defendia “a necessidade de aprovação imediata dos investimentos destinados à descarbonização” nesta unidade da Galp.

A organização representativa dos trabalhadores endereçou ainda “um convite público à Climáximo para, conjuntamente, estabelecermos uma frente que reivindique a descarbonização da refinaria de Sines até 2025, tal como a própria administração gizou no seu plano estratégico”.

Contudo, a CCTP também escreve que “não se altera um processo que é extremamente injusto e sobretudo desequilibrado” através de “um encerramento sem alternativa a curto prazo e ao mesmo tempo clamando pela defesa dos postos de trabalho”. Assim, “qualquer reivindicação que ponha à cabeça o encerramento de qualquer instalação industrial sem uma alternativa concreta não serve o objetivo de esclarecimento da opinião pública”.

Para esta comissão de trabalhadores, “o que é assumido pelo Governo como ‘transição energética’ é um processo de desindustrialização acelerado do país sem impacto líquido na redução global de emissões de CO2 [dióxido de carbono] para a atmosfera” e que tem “um impacto brutal na destruição de emprego”.