Cruzando informação da Wealth X com a da Forbes, a Oxfam avança, no seu relatório Inequality Inc., que, desde 2020, o CEO da Tesla, Elon Musk, Bernard Arnault, da empresa de luxo LVMH, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, o fundador da Oracle, Larry Ellison, e o guru de investimentos Warren Buffett mais do que duplicaram as suas fortunas, para cerca de 794 mil milhões de euros, enquanto os 60% mais pobres do mundo, quase 5 mil milhões de pessoas, perderam dinheiro.
Ao mesmo tempo que se registou um aumento dramático da desigualdade desde a pandemia da covid-19, a Oxfam aponta que os multimilionários do mundo estão 3 biliões de euros mais ricos do que em 2020, e a sua riqueza cresceu três vezes mais rápido do que a taxa de inflação.
No relatório, é ainda referido que sete em cada dez das maiores empresas do mundo têm um bilionário como presidente executivo ou principal acionista, apesar da estagnação dos padrões de vida de milhões de trabalhadores em todo o mundo.
“As pessoas em todo o mundo estão a trabalhar mais e durante mais horas, muitas vezes por salários de pobreza em empregos precários e inseguros”, lê-se no documento.
“Em 52 países, os salários reais médios de quase 800 milhões de trabalhadores caíram. Estes trabalhadores perderam um total combinado de 1,5 biliões de dólares [perto de 1,4 biliões de euros] nos últimos dois anos, o equivalente a 25 dias de salários perdidos para cada trabalhador”, continua a Oxfam.
Já os lucros das empresas aumentaram exponencialmente, apesar da pressão sobre as famílias, no contexto de um expressivo agravamento do custo de vida. A Oxfam conclui que 148 das maiores empresas do mundo arrecadaram juntas mais de 1,6 biliões de euros em lucros líquidos totais no ano até junho de 2023, um salto de 52% em comparação com os lucros líquidos médios no período 2018-21.
Num momento em que líderes políticos, executivos empresariais e super-ricos realizam a reunião anual do Fórum Económico Mundial, a Oxfam alerta que o expressivo fosso entre ricos e pobres deverá aumentar. Estima-se que o primeiro trilionário do mundo apareça no espaço de uma década, ao mesmo tempo que se adverte que, ao manterem-se as tendências atuais, a pobreza mundial só será erradicada nos próximos 229 anos.
Tendo em conta o mais recente índice de Gini, os especialistas assinalam que a desigualdade global de rendimentos é agora comparável à da África do Sul, o país com a maior desigualdade no mundo, com os 1% mais ricos do mundo a possuírem 59% de todos os ativos financeiros globais, incluindo ações, títulos e obrigações, além de participações em empresas privadas.
Aleema Shivji, diretor executivo interino da Oxfam, enfatizou que “estes extremos não podem ser aceites como a nova norma”. “A pobreza extrema nos países mais pobres ainda é mais elevada do que era antes da pandemia, mas um pequeno número de homens super-ricos corre para se tornar o primeiro trilionário do mundo nos próximos 10 anos”, continuou.
Aleema Shivji disse ainda que “este abismo cada vez maior entre os ricos e o resto não é acidental, nem é inevitável”, já que “os governos de todo o mundo estão a fazer escolhas políticas deliberadas que permitem e incentivam esta concentração distorcida de riqueza, enquanto centenas de milhões de pessoas vivem na pobreza”.
“É possível uma economia mais justa, que funcione para todos nós. O que é necessário é ter políticas concertadas que proporcionem uma tributação mais justa e apoio para todos, não apenas para os privilegiados”, defendeu.