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Cinco anos após a morte de Aylan Kurdi, “o Mediterrâneo continua a ser um cemitério”

A 2 de setembro de 2015, a foto do menino de três anos morto numa praia turca comoveu o mundo. Cinco anos depois, “os governantes deixaram cair as máscaras da solidariedade e humanismo”, assinala Marisa Matias.
Ilustração de Yante Ismail para a UNHCR, the UN Refugee Agency.

Aylan Kurdi e a sua família fugiram da guerra na Síria num pequeno barco com o dobro da sua lotação. A embarcação acabou por virar, tirando a vida ao menino de três anos, ao seu irmão, à sua mãe e a nove outras pessoas. As homenagens multiplicaram-se, bem como as promessas de que as políticas de imigração seriam repensadas.

Passaram cinco anos e as mortes no Mediterrâneo continuam a ser uma constante. Há menos de duas semanas, morreram 50 pessoas num naufrágio próximo da costa líbia, das quais cinco eram crianças. Em 2020 já morreram 300 pessoas nesta rota do Mediterrâneo.

Federico Soda, chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM), alerta, na sua conta de Twitter, que continua a “não existir qualquer programa dedicado de busca e salvamento liderado pela UE”. “Receamos que sem um aumento urgente da capacidade de resgate humanitário aumente o risco de mais catástrofes”, acrescenta.

“As boas intenções morreram naquela praia também"

Marisa Matias assinalou a morte de Aylan Kurdi nas redes sociais, lamentando que “a espuma dos dias” tenha apagado “a imagem demasiado rápido”: “As boas intenções morreram naquela praia também. Cinco anos depois o Mediterrâneo continua a ser um cemitério, os governantes deixaram cair as máscaras da solidariedade e humanismo e creem-se acima da lei e do direito internacional. Os que fogem da morte certa esbarram na desumanidade, são deixados à deriva ou à morte quase certa”, escreve a eurodeputada do Bloco de Esquerda.

 

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