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China está de acordo com as políticas de Sócrates

A China está disponível para comprar títulos do tesouro português. “Acreditamos que as medidas tomadas pelo Governo português conduzirão à recuperação dos sectores económico e financeiro de Portugal”, disse a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros chinesa.
No início de Outubro, em Atenas, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, afirmou que “a China apoia a estabilidade do euro e não reduzirá a sua carteira de títulos europeus“. Foto Goldemberg Fonseca/Flickr

“A situação económica e financeira em Portugal tem sido sempre o centro das nossas atenções”, disse a vice-ministra dos Negócios Estrangeiras chinesa, Fu Ying, ao ser questionada pela Lusa em Pequim sobre a possibilidade de a China adquirir parte da dívida portuguesa.

Segundo realçou, “a Europa tem sido sempre um dos principais mercados para o investimento das reservas da China em divisas”. “Temos vontade para participar nos esforços dos países europeus para recuperar da crise”, afirmou Fu Ying, antiga embaixadora da China em Londres e responsável pelas relações com a Europa.

Referindo-se ainda a Portugal, Fu Ying manifestou-se confiante que o país conseguirá ultrapassar a crise actual. “Acreditamos que as medidas tomadas pelo Governo português conduzirão à recuperação dos sectores económico e financeiro de Portugal”, disse.

Fu Ying falava num encontro com os jornalistas sobre a anunciada visita de Estado do Presidente chinês, Hu Jintao, a Portugal e à França, durante a próxima semana.

O Presidente da República Popular da China, Hu Jintao, visitará Portugal nos dias 6 e 7 de Novembro, acompanhado por uma comitiva de vários membros do Governo chinês e cerca de 50 empresários. Será recebido pelo Presidente da República português, Cavaco Silva.

A visita de Estado de Hu Jintao acontecerá alguns dias antes da França assumir a presidência do G20, a 12 de Novembro. A visita deverá permitir a assinatura de acordos, nomeadamente nos domínios da aeronáutica com a Airbus e da energia nuclear, indicou fonte informada citada pela Lusa.

China: a segunda maior economia do mundo

Depois de três décadas com um crescimento médio de cerca de 10 por cento ao ano, a economia chinesa é hoje a segunda maior do mundo, a seguir aos Estado Unidos, e após a crise financeira de 2008 passou a ser considerada “um motor da recuperação global”. Pelas contas do FMI, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês crescerá 10,5 por cento em 2010.

Embora continue a assumir-se como “um país em vias de desenvolvimento”, a China possui as maiores reservas em divisas do mundo: 2,65 biliões de dólares (1,92 biliões de euros), segundo os números de Setembro passado. Cerca de um terço está investido em títulos do tesouro norte-americano, mas sobra ainda muito dinheiro.

Um professor do Banco Central, Wang Yong, defendeu a compra da dívida pública de Portugal e de outros países europeus para ajudar a Europa a sair da crise e tentar limitar a três por cento a valorização da moeda chinesa reivindicada pela administração norte-americana.

Num artigo publicado na semana passada, em Pequim, Wang Yong sustenta que a China deve formar alianças com outros países – incluído Portugal, Grécia, Irlanda e Itália – para evitar que os Estados Unidos consigam reunir uma coligação para obrigar o governo chinês a valorizar o yuan.

"Os chineses não gostam de falar nestas coisas em público”, disse um diplomata europeu acerca da possibilidade de o assunto ser abordado durante a visita do Presidente Hu Jintao a Portugal e França, na primeira semana de Novembro.

No início de Outubro, em Atenas, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, limitou-se a reafirmar que “a China apoia a estabilidade do euro e não reduzirá a sua carteira de títulos europeus“.

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