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China, entre a “nova guerra fria” e a reafirmação do credo do mercado

As tensões com os EUA levam Xi a dizer que o mercado deve desempenhar um “papel decisivo” economia e que a China aposta no multilateralismo e um seu ministro a dizer que se está “à beira de uma nova guerra fria” por causa do coronavírus mas que o país aceita investigação sem interferência política.
Wang Yi, ministro dos Negócios Externos da China na sua conferência de imprensa online.Foto de ROMAN PILIPEY/EPA/Lusa.Wang Yi, ministro dos Negócios Externos da China na sua conferência de imprensa online.Foto de ROMAN PILIPEY/EPA/Lusa.
Wang Yi, ministro dos Negócios Externos da China na sua conferência de imprensa online.Foto de ROMAN PILIPEY/EPA/Lusa.

De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, numa reunião de um grupo de trabalho do Parlamento chinês, o presidente Xi Jinping terá reafirmado o compromisso do Partido Comunista Chinês com o “papel decisivo” dos mercados na economia.

Xi tratou de reiterar que a China não “deve ignorar a cegueira do mercado nem voltar ao velho caminho da economia planificada” e acrescentou que o país “deve estar do lado certo da história”, aderir ao multilateralismo e manter uma atitude “aberta e cooperativa” contra o crescimento do protecionismo. Estas declarações foram vistas como um recado para fora, uma resposta à escalada de tensão por parte do governo norte-americano que criticara, nomeadamente, a falta de reformas no país e uma crítica à política aduaneira de Trump.

Se este tipo de afirmações não se trata propriamente de uma novidade no discurso político oficial, esta sexta-feira deixou-nos um facto verdadeiramente inédito. Pela primeira vez em décadas, não foi estabelecido um objetivo de crescimento económico para o país. A justificação a “incerteza e a instabilidade” devida à pandemia. Xi, que considerou que o PIB do país poderia ter sido de cerca 6% se o coronavírus não tivesse trocado as voltas à economia mundial, declarou que “se fixássemos um [objetivo], o foco passaria a estar em estímulos fortes e em aumentar a taxa de crescimento, o que não está em linha com o propósito do nosso desenvolvimento económico e social”.

Nova guerra fria”?

Este domingo, Wang Yi, ministro chinês dos Negócios Exteriores, numa conferência de imprensa online criticou “certas forças políticas norte-americanas” por estarem “a tornar reféns as relações entre a China e os Estados Unidos e conduzir os nossos dois países à beira de uma nova Guerra Fria”.

O governante considerou que “para além da devastação causada pelo novo coronavírus, um vírus político está a espalhar-se pelos Estados Unidos. Esse vírus político aproveita todas as oportunidades para atacar e difamar a China”.

Wang disparou contra os políticos que “espalham boatos para estigmatizar a China” mas não assumiu porém apenas o papel do “polícia mau” na disputa com a administração Trump. Tratou também de contra-atacar suavemente face ao ponto principal da política de desinformação do presidente dos EUA, a ideia de que o vírus foi fabricado. Por isso, esclareceu, as autoridades chinesas estão disponíveis para cooperar com uma investigação internacional de forma a permita identificar a origem da covid-19. A condição é que não haja “interferência política” na investigação.

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