CGTP propõe unidade de acção para a Greve Geral

01 de outubro 2010 - 17:18

No 40º aniversário da CGTP, Carvalho da Silva propôs a “unidade de acção às organizações sindicais” para a realização de uma grande Greve Geral a 24 de Novembro. UGT não exclui adesão. Manuel Alegre enviou mensagem de saudação pelo aniversário, destacando a importância da central.

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Carvalho da Silva discursando na comemoração dos 40 anos da CGTP - Foto de Tiago Petinga/Lusa

Discursando na Assembleia de dirigentes e ex-dirigentes sindicais comemorativa dos 40 anos da CGTP, o seu secretário-geral, Carvalho da Silva, considerou que o ministro das Finanças se tornou “no inimigo número um da economia e do povo português” e apelou à "mobilização dos trabalhadores com forte sentido de responsabilidade" para fazer uma "grande greve geral" a 24 de Novembro, contra as brutais medidas de austeridade anunciadas pelo Governo.

Carvalho da Silva disse que a reunião do conselho nacional da CGTP que decidiu por unanimidade a convocação da greve geral foi o mais participado do mandato, anunciou que até 15 de Outubro vão decorrer reuniões e plenários de trabalhadores para a concretização da greve geral e salientou:

"Temos consciência de que é necessário e determinante que ela se faça com grande êxito. Queremos uma grande participação de todos os trabalhadores na sua preparação. Queremos um clima de responsabilidade e empenho".

O secretário geral da CGTP propôs também “unidade de ação às organizações sindicais" e disse aos jornalistas que enviou na quinta feira à noite um ofício à UGT formalizando esta proposta. Uma fonte da UGT disse à Lusa que “ainda não foi tomada uma decisão, mas não está descartada a hipótese de ir para a greve”. Torres Couto, antigo secretário geral da UGT, declarou à TSF que CGTP e UGT “têm a obrigação patriótica de se entenderem, a responsabilidade histórica de se entenderem e de fazerem uma única greve que pare este país”, sublinhando que “os sindicatos têm que vir para a rua, têm que agitar os trabalhadores contra estas medidas do Governo. O direito à indignação tem que ser exercido com toda a coragem, veemência e determinação”.

Na sua intervenção no 40º aniversário da CGTP, Carvalho da Silva criticou Cavaco Silva, dizendo que "ao presidente deu todo o jeito ir alimentando isto e criar um cenário para ser reeleito como o salvador" e salientou que as eleições presidenciais devem constituir um momento de afirmação de "caminhos de ruptura e projectos alternativos".

O voto aprovado por unanimidade na Assembleia da República, de congratulação pelos 40 anos da CGTP, foi proposto pelos grupos parlamentares de Bloco de Esquerda, PCP, PS e PEV. O texto destaca que "a CGTP é titular de um património cívico único e exemplar de representação inequívoca, sincera e combativa dos interesses de quem trabalha", que contribui significativamente "para o aprofundamento da cidadania democrática em Portuga" e para "o combate pela justiça social e pelas liberdades essenciais à democracia".

Por seu lado, Manuel Alegre enviou a seguinte mensagem: "Saúdo fraternalmente o 40º Aniversário da INTER-SINDICAL NACIONAL (CGTP-IN), cuja acção foi relevante para a queda da ditadura, para a construção da democracia e é indispensável para a defesa dos direitos dos trabalhadores e do conteúdo social e político da DEMOCRACIA tal como está consagrada na Constituição da República." A mensagem foi lida e aplaudida na reunião de activistas e dirigentes sindicais da CGTP.

A CGTP, na altura Intersindical, surgiu com o aumento da luta dos trabalhadores e com a eleição de diversas direcções sindicais anti-fascistas. Os sindicalistas tinham consciência de que era necessária uma organização unitária dos sindicatos que reforçasse a luta pelos direitos dos trabalhadores.

A 1 de Outubro de 1970, quatro sindicatos (Caixeiros de Lisboa, Pessoal da Indústria de Lanifícios de Lisboa, Técnicos e Operários Metalúrgicos de Lisboa e Bancários de Lisboa) enviaram um convite a outros sindicatos para um encontro de trabalho "para estudo de alguns aspectos da vida sindical". Os temas propostos eram, então: as convenções colectivas de trabalho, o horário de trabalho, a censura e a liberdade de reunião.

Termos relacionados: SociedadeGreve Geral 24 Nov