CGTP evoca "greve da mala" de 1968 na Carris

17 de maio 2023 - 11:09

A sessão evocativa da histórica greve dos trabalhadores da Carris terá lugar na estação de Santo Amaro, em Lisboa, no próximo dia 1 de junho pelas 10h30.

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Greve da mala, 1968
Greve da mala, 1968 - Foto de fectrans.pt

O STRUP e a FECTRANS promovem no próximo dia 1 de Junho, pelas 10h30, na estação da Carris em Santo Amaro, uma sessão evocativa da luta de 1968, que ficou conhecida pela “Greve da Mala”. A sessão é aberta ao público e terá lugar na «Palmeira», junto ao edifício do Salão Nobre e contará com a presença de trabalhadores que participaram nessa luta e da Secretária-geral da CGTP-IN.

Segundo a FECTRANS, trata-se de uma "singela homenagem aos trabalhadores que nos tempos difíceis do fascismo não deixaram de transformar em realidade o sonho de uma vida digna e uma sociedade justa e solidária".

Depois de anos de reivindicações por aumentos salariais, com concentrações ao longo da década de 1960 em frente à administração da empresa, muitas vezes reprimidos pela polícia e os seus cães, no dia 1 de julho de 1968 teve início esta ação de protesto em que os trabalhadores deixaram nas estações as malas de cobrança dos bilhetes, o que deu nome a esta greve.

Nesse dia nenhum trabalhador saiu com a mala e à porta da estação de Santo Amaro muitos trabalhadores concentraram-se para apoiar o protesto. Naquela altura, os passes tinham preços proibitivos para a população e os utentes adquiriam o bilhete a bordo. A notícia de que não havia cobrança espalhou-se rapidamente e os autocarros e elétricos passaram a andar cheios nos dias seguintes.

A polícia de choque não tardou a reprimir as concentrações de apoio junto às estações de Santo Amaro e Cabo Ruivo e a ditadura chegou a promover no final da greve uma manifestação de trabalhadores da Carris em agradecimento a Salazar, que cairia da cadeira exatamente um mês depois do último dos três dias da "greve da mala". Apesar da repressão, a administração da Carris foi forçada a ceder com um aumento de 20 escudos, menos do que os 50 exigidos pelos grevistas, mas ainda assim uma vitória que marcou a história das lutas laboras durante a ditadura.