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Cerca de milhar e meio de golfinhos chacinados num dia nas Ilhas Faroé

A caça aos cetáceos é apresentada como uma tradição e os seus defensores dizem é sustentável. Mas até estes admitem que desta vez se foi longe demais. Os defensores dos animais contrapõem que é uma “prática bárbara”.
Baleias mortas nas ilhas Faróe. Foto: Sea Shepherd.
Baleias mortas nas ilhas Faróe. Foto: Sea Shepherd.

Séculos de tradição são a justificação avançada pelos defensores da prática. Mas o abate de 1.428 golfinhos-de-faces-brancas este domingo num fiorde perto de Skala, nas Ilhas Faroé, ultrapassou em muito o que é habitual.

Neste território autónomo da Dinamarca, a caça à baleia e aos golfinhos é autorizada. A “grindadrap” é uma caçada organizada comunitariamente na qual se cercam os animais com barcos e se encaminham para terra, onde depois são mortos e as carcaças distribuídas entre os habitantes.

Desta feita, a escala da matança causou choque mesmo entre apoiantes da prática. Os alvos principais costumam ser as baleias-piloto. A média anual de baleias que têm sido mortas, de acordo com dados do governo das Ilhas Faroé, é de 600. A média de golfinhos é muito menor: foram 10 em 2019, 35 em 2020. À BBC, Olavur Sjurdarberg, presidente da Associação de Baleeiros das Ilhas Faroé, admite que “foi um grande erro” e que a estimativa de captura era de 200 e não de mais de 1.400. Teme que o sucedido coloque em causa mais uma vez a prática, mas destaca a sua legalidade. O mesmo faz um porta-voz do governo de Torshavn, em declarações citadas pela France Presse: “não há dúvida de que a caça aos cetáceos nas Ilhas Faroé é um espetáculo dramático para as pessoas pouco habituadas à caça e abate destes mamíferos. Estas caçadas são, no entanto, bem organizadas e totalmente regulamentadas”.

O deputado social-democrata Sjurdur Skaale visitou o local e assegura que as pessoas "ficaram furiosas e em choque” com a dimensão da caçada, mas defende a prática como sustentável e quando feita da “maneira correta” seria “muito melhor”, “do ponto de vista do bem-estar animal”, do que “manter vacas e porcos presos”.

As organizações de defesa do bem-estar animal não concordam. A Sea Shepherd contrapõe que estas caçadas “podem transformar-se em massacres prolongados e frequentemente desorganizados", classificando-a como uma “prática bárbara”. Esta foi “a maior matança” de golfinhos ou baleias-piloto “na história das ilhas”.

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