A fila à porta dos serviços a Direção Geral de Assuntos Consulares no Porto vai até perder de vista e é permanente, pois com a distribuição de 200 senhas por dia são muitos os que são obrigados a dormir ali mesmo para não perderem o lugar para os dias seguintes. O objetivo destas centenas de imigrantes é o mesmo: conseguirem um carimbo no seu registo criminal para o juntarem aos documentos para entregar na AIMA e regularizar a situação em Portugal.
Para esta situação apontada por imigrantes e moradores da zona como “desumana” ter acontecido, apontam-se várias explicações. A primeira e mais óbvia é a falta de meios humanos nos serviços. A isso soma-se o encerramento por alguns dias das instalações da Direção Geral de Assuntos Consulares em Lisboa, na sequência da operação policial que desmantelou uma rede que usava o mesmo selo branco para facilitar a verificação de registos criminais a troco de dinheiro. Mas também o facto de o prazo de validade dos documentos e vistos de permanência terminar a 30 de junho, depois de ter sido prorrogado várias vezes por falta de resposta aos pedidos em tempo útil por parte da AIMA. Por causa disto, existem pessoas a viver e trabalhar em Portugal há décadas e que correm o risco de ver o visto expirar, ficando na prática impedidas de sair do país.
Outro fator a contribuir para o aumento da afluência a estes serviços, e bem visível pelas nacionalidades presentes na fila no Porto, foi o fim da isenção da verificação manual do registo criminal que era conferida aos imigrantes provenientes de países da CPLP e deixou de o ser desde fevereiro. Agora, mais de 120 mil pessoas estão a ser notificadas pela AIMA para irem para a fila do carimbo.
O Jornal de Notícias falou com várias pessoas à espera há dias pela sua vez e encontrou gente de vários países e ocupações, desde funcionários da restauração a estudantes de teologia. Muitos estavam a faltar ao trabalho e receavam que o patrão não compreendesse a razão da ausência prolongada. Outros tinham marcação na AIMA para entregar os documentos no dia seguinte ou no próprio dia, e quando foram em busca do carimbo no registo criminal pensaram que era coisa para demorar poucas horas, mas ainda lá estão a marcar lugar para os dias seguintes.
Também em Lisboa há dezenas de pessoas a dormir na rua em frente às instalações entretanto reabertas e que estão a atender apenas 60 pessoas por dia. Segundo a agência Lusa, a maior parte dos que ali estavam na quarta-feira eram angolanos, e muitos já tinham ido nos dias anteriores tentar validar o seu registo criminal, mas sem sucesso. Ao contrário de outras representações diplomáticas, os serviços consulares angolanos em Portugal não disponibilizam este serviço,