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Censura para defender as gerações sacrificadas

O Bloco de Esquerda anunciou a apresentação de uma moção de censura no primeiro dia em que ela tem utilidade prática, 10 de Março. Tem todo o sentido fazê-lo no tempo certo, e foi o que o Bloco decidiu - aqui ficam três argumentos a favor. Por Francisco Louçã.

O Bloco de Esquerda anunciou a apresentação de uma moção de censura no primeiro dia em que ela tem utilidade prática, 10 de Março. Não teria utilidade fazê-lo antes, como declarei, tem todo o sentido fazê-lo no tempo certo, e foi o que o Bloco decidiu.

E tem sentido por três razões. Em primeiro lugar, porque é agora que o governo concretiza medidas destruidoras do emprego porque facilitadoras do desemprego: a redução da indemnização pelo despedimento e o fundo para financiar o despedimento. Queremos que essas medidas sejam retiradas, que sejam recusadas e que sejam vencidas, porque vão criar mais desemprego. A esquerda bate-se por soluções.

Em segundo lugar, chegamos a uma situação insuportável: um em cada dois trabalhadores está desempregado ou é precário. O PS e PSD aprovaram a retirada do subsídio de desemprego a muitos desempregados, e reduziram o montante para os outros. A esquerda bate-se por soluções.

Em terceiro lugar, há um milhão de recibos verdes, muitos dos quais falsos. E podemos corrigir essa situação de abuso, introduzindo novas regras para o contrato dos falsos recibos verdes. A esquerda bate-se por soluções.

Todas estas medidas cruéis são impostas quando dois dos maiores bancos privados portugueses declaram 500 milhões de euros de lucros e nenhum IRC, e ainda pretendem impor ao Estado o reconhecimento de dívida fiscal. São estes bancos que cobram juros agiotas – como os bancos alemães e franceses – à economia portuguesa. A censura recusa a continuação desta política de austeridade e de desemprego. É portanto a força de uma convicção, a razão de uma luta e uma resposta ao pântano.

Sobre o/a autor(a)

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.
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