O actual presidente da República optou por ler a mensagem de Ano Novo aos portugueses numa altura em que disputa as eleições presidenciais, a realizarem-se no próximo dia 23 de janeiro.
Diferente escolha fizeram os anteriores presidentes da República, Mário Soares e Jorge Sampaio. Em 1991, Mário Soares, que se candidatava a um segundo mandato presidencial, delegou essa tarefa ao então presidente da Assembleia da República. Soares pretendia evitar, desta forma, "confusões entre os seus dois estatutos: o de efectivo e candidato presidencial".
O ex-presidente Jorge Sampaio também optou por não apresentar a mensagem de Ano Novo. Em 1991, o então Chefe do Estado e recandidato à Presidência da República, decidiu manter-se em silêncio.
Ramalho Eanes não foi confrontado com a necessidade de tomar qualquer decisão nesse sentido, na medida em que quando leu a mensagem no primeiro dia de 1981 já tinha sido reeleito.
A escolha do actual presidente Cavaco Silva corresponde, segundo o deputado do Bloco de Esquerda, Jorge Costa, àquela que tem sido a estratégia deste chefe de Estado.
Jorge Costa lembrou que “Cavaco Silva tem aproveitado todas as ocasiões que a presidência da República lhe oferece para fazer campanha eleitoral” e que, portanto, já se esperava esta atitude por parte do presidente da república.
O deputado do Bloco adiantou ainda que “Neste período de campanha eleitoral, esta mensagem de Ano Novo não faz parte de uma obrigatoriedade do regime e escolher fazê-la tão próximo das eleições, mostra como Cavaco Silva continua a preferir utilizar a presidência como um local para a sua campanha eleitoral e não a respeitar a distância que se imporia no seu cargo nesta altura”.
Jorge Costa acusou ainda o Presidente da República Cavaco Silva de se referir aos decisores políticos responsáveis pela situação que vivemos como se não fosse um deles e de estar “do lado da receita da austeridade proposta por Bruxelas e aplicada pelo governo, agravando o ciclo da austeridade, do desemprego e da descida dos salários”.