Cavaco Silva era contra recriminar agências de rating

09 de julho 2011 - 14:32

Há um ano, o presidente tinha opiniões muito diferentes sobre as agências de notação. Questionado sobre essas mudanças, recomendou aos que “sofrem de ignorância na análise” que “estudem um pouco mais”.

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Presidente da República garantiu que não mudou de opinião. Foto de Tiago S Costa

Em Julho do ano passado, o presidente Cavaco Silva reagiu de forma muito diferente à que teve agora diante das notícias de que as agências de notação financeira tinham revisto em baixa o 'rating' da dívida portuguesa.

Há um ano, defendeu que “não vale a pena recriminar as agências de 'rating'”. E prosseguiu: “o que nós devemos fazer é o nosso trabalho para depender cada vez menos das necessidades de financiamento externo”, disse, apesar de reconhecer alguma “injustiça” nas avaliações.

Há um ano, o presidente defendeu que restava ao país corrigir os erros do passado para evitar males piores: “Quando nós não precisarmos de pedir dinheiro no estrangeiro, não temos que nos preocupar com agências de ‘rating’ ou até outras pressões que nos chegam do estrangeiro”, afirmou.

Uma opinião totalmente diferente da que mostra um ano depois, quando afirma agora que as decisões das agências de 'rating' norte-americanas são “uma ameaça à estabilidade da economia europeia” e que a descida de 'rating' português executada pela agência Moody’s é “escandalosa”.

Durante as eleições presidenciais, porém, no debate televisivo com o candidato do PCP, Francisco Lopes, Cavaco Silva, em resposta à acusação de baixar os braços diante dos mercados, o então candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS respondeu: “Aqueles que insultam os mercados estão a prejudicar seriamente o país. Deus nos livre se o Presidente da República não mede as palavras que usa”.

Questionado este sábado sobre a mudança, o Presidente da República garantiu que não mudou de opinião pois só agora existe um “reconhecimento” europeu de que as agências de notação financeira constituem uma “ameaça”.

Incomodado com a comparação entre declarações suas tão diferentes, o homem que já disse que nunca se engana afirmou: “Àqueles que sofrem de ignorância na análise, eu apenas posso recomendar um pouco mais de estudo. Estudem um pouco mais”.