Catarina Martins quer que milhões prometidos respondam “à vida concreta das pessoas”

05 de setembro 2021 - 20:31

A coordenadora do Bloco denunciou, em Santarém, que “mulheres da linha da frente” no combate à pandemia, que foram as mais sacrificadas na crise, ficaram sem emprego e estão de novo sem nada. Afirmou também que o Bloco vai lutar para que as autarquias “respondam mais à vida concreta das pessoas”.

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Encontro de municípios livres de violência de género decorreu em Santarém este domingo, 5 de setembro de 2021 – Foto de Andreia Quartau
Encontro de municípios livres de violência de género decorreu em Santarém este domingo, 5 de setembro de 2021 – Foto de Andreia Quartau

No Encontro de municípios livres de violência de género, que se realizou este domingo em Santarém, intervieram Catarina Martins, Beatriz Gomes Dias (deputada e candidata do Bloco à câmara de Lisboa), Guida Ascensão (candidata à câmara de Serpa) e Fabíola Cardoso (deputada e candidata à câmara de Santarém). O encontro bloquista decorreu no Jardim da República, no mesmo espaço onde tinha decorrido o segundo encontro LGBT realizado em Santarém, neste sábado.

Catarina Martins começou por salientar que “Portugal é um país que tem, do ponto de vista da legislação, alguns princípios que são extraordinários, até dos mais avançados no mundo”, porém em muitas situações parece estar-se no século XIX. E referiu a importância do combate à precariedade, como “única forma de garantir que uma mulher não fica sem emprego por ser mãe”, da criação de creches públicas em vez de “mais uma rotunda”, de transportes coletivos, com qualidade e segurança e “às horas de que as pessoas precisam”.

“Mulheres que no confinamento fizeram a linha da frente, e essa linha da frente foi feita por tantas mulheres precárias, que ficam sem emprego no momento em que se determinar que os números da pandemia estão controlados”, denunciou Catarina Martins, e frisou: “foram estas mulheres precárias, despedidas da primeira vaga pandémica, que cujo subsídio de desemprego acabou na segunda, que na terceira já não tinham nada, que se juntaram para exigir que o subsídio social de desemprego fosse prolongado, porque não tinham nada e ninguém lhes dava emprego por serem mães, quando eram o único sustento das famílias monoparentais”.

“São essas mulheres que neste mês ficaram novamente sem nenhum apoio”, afirmou Catarina Martins, lembrando que o Governo não aprovou o apoio no OE para 2021, posteriormente foi obrigado a ceder, mas prolongou-o apenas por seis meses. “Esses seis meses acabaram e essas mulheres voltaram a tornar-se invisíveis. Essas mulheres são o exemplo daquilo porque lutamos”, a sua dignidade e a de toda a gente no país.

Catarina Martins assegurou que o Bloco “não vai descansar se não garantir um Serviço Nacional de Saúde que responda a toda a gente, para a covid e para os cuidados não covid”, e o reconhecimento de quem está na linha da frente a trabalhar todos os dias com contratos de trabalho.

Criar um pelouro de cidadania e igualdade na Câmara de Lisboa”

Beatriz Gomes Dias apontou que a desigualdade, que existe na nossa sociedade, afeta de forma diferente as pessoas, particularmente as pessoas que sofrem discriminações.

“Desigualdade não é igual para todas as pessoas que sofrem discriminações”, afirmou lembrando que as diferentes discriminações - mulheres, pessoas racializadas, pessoas LGBTQI+, migrantes, pessoas com deficiência, pessoas mais velhas, levam a que a “discriminação agrava nessas pessoas a desigualdade e as discriminações”.

A candidata defendeu para Lisboa que o executivo municipal passe a ter um pelouro da Cidadania e Igualdade, para trabalhar de forma articulada com os outros pelouros, cruzando políticas.

Lutar pela igualdade a nível local

Guida Ascenção falou das muitas formas de violência associadas à questão de género, considerando inaceitável que Serpa, não tenha ainda um Plano para a Igualdade.

A candidata à câmara municipal defendeu a “elaboração de planos para a igualdade a nível local”, o “incentivo à criação de conselhos municipais para a igualdade na vida local”, a “elaboração de estratégia local para prevenir violência de género com ações junto das escolas, das famílias, das empresas, das instituições, com ações que apoiem as vítimas e desenvolvam respostas mais ajustadas”.

Conservadorismo é a raiz do atraso no concelho de Santarém”

A encerrar o Encontro, interveio Fabíola Cardoso que salientou que são mulheres as cabeças de lista do Bloco não só à Câmara, mas também à assembleia municipal e à União de Freguesias da cidade de Santarém.

Fabíola Cardoso apontou que “o conservadorismo é a raiz do atraso, do subdesenvolvimento deste concelho, que o distancia dos concelhos vizinhos que continuam a evoluir”, sublinhando que “é contra este conservadorismo, que também acontece em muitos concelhos do país, que as candidaturas do Bloco se candidatam”.

A candidata denunciou a precariedade dos trabalhadores da limpeza municipal, que a Câmara fomenta, e criticou a falta de creches e ATL, para permitir “conciliar trabalho com a vida familiar, com o lazer, com a política”.

Fabíola Cardoso prometeu ainda levar as lutas feministas, nas suas mais diversas vertentes, para a agenda política neste concelho marcado pelo “conservadorismo, o machismo e o marialvismo”.