Nesta quinta-feira, a campanha eleitoral do Bloco de Esquerda para as próximas eleições europeias visitou de manhã a Fortaleza de Peniche, com a presença de Fernando Rosas, e teve um almoço no Entroncamento.
Na primeira destas iniciativas, Catarina Martins defende a importância da memória, lembrando que houve quem quisesse transformar aquele edifício num hotel de luxo mas “felizmente, não foi assim, porque houve quem se levantasse contra essa ideia” e conseguiu-se criar um museu que recorda “o que foi o fascismo, o que foi a violência da ditadura em Portugal, e também que nos mostra o que foi a coragem da luta antifascista, o que foi a resistência, o que foi fazer a revolução”.
Já no Entroncamento voltou a recordar que os as eleições europeias não são “sobre temas distantes do nosso quotidiano” e a criticar a extrema-direita que “divide, cria o ódio, cria insegurança” ao mesmo tempo que defende os oligarcas através dos Vistos Gold, os proprietários contra os inquilinos e os patrões contra os trabalhadores.
Lembrou ainda que é a a extrema-direita israelita que está a aplicar a “extrema violência” em Gaza e que “enquanto isso está a acontecer, há um comissário húngaro que acha por bem ir a Israel tirar fotografias com os ministros que estão a matar as crianças em Gaza”. Por sua vez, o Governo português é cúmplice, assim como União Europeia, que acusou de hipocrisia, por apoiar a Ucrânia mas fechar os olhos e não impor sanções a Israel e manter mesmo um contrato de associação com o Estado sionista. Assim, “neste momento, as crianças em Gaza estão a ser mortas com dinheiro e armas que vêm da União Europeia” e isto é “o eurocinismo máximo”
Socialistas, direita e liberais negociaram “um regime de resgate permanente”
Na mesma ocasião, José Gusmão analisou o acordo entre socialistas, direita e liberais para implementar um “enviesamento para o corte no investimento”, a “violação da legitimidade democrática dos governos nacionais” e a “rigidez nos planos orçamentais”.
Explicou que de acordo com as novas regras económicas da União Europeia se houver desacordo entre os Estados e a Comissão Europeia é a proposta desta que prevalece “mesmo que ela seja imposta contra os programas de governos democraticamente eleitos”. Ou seja, “se houver governos que foram eleitos com compromissos para investir na transição energética, para investir no Serviço Nacional de Saúde, para investir na escola pública, se a Comissão Europeia disser que não podem” tudo isto ficará inviabilizado.
Salientou ainda que no último debate eleitoral estas regras foram defendidas por Marta Temido, Cotrim de Figueiredo e Sebastião Bugalho e que “foi quase bonito” como “completavam as frases do outro”. Uma prova de que há um “grande bloco central que vai trazer de volta a política da austeridade” contra o qual o Bloco se levanta.
Contra a indústria do ódio, pela justiça
O leque das intervenções ficou fechado com Santiago Mbanda Lima e Alexandre Abreu. O primeiro falou no “apagamento étnico e genocídio na Palestina” que “é um reflexo do sistema franchise da extrema-direita, do seu poder e do seu modus operandi: disseminar ódio, criar caos e evangelizar a guerra”, lembrando ainda outras geografias como o Congo, o Sudão e a Ucrânia. De acordo com a sua opinião “com a ajuda dos media” “vivemos na indústria do ódio”. A destruição do planeta, e em particular a poluição da indústria fabril “que ferozmente se impõe” no rio Almonda, foi também tema da sua apresentação.
Alexandre Abreu elogiou o trabalho dos dois eurodeputados do Bloco de Esquerda no mandatoa anterior, e depois falou de justiça, em três planos: climática, laboral e na habitação.