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Catarina defende extensão das moratórias pelo menos até setembro

A coordenadora do Bloco de Esquerda alertou que o fim das moratórias da Associação Portuguesa de Bancos na próxima quarta-feira é a ameaça de “uma autêntica bomba relógio de crédito mal-parado”. E defendeu também a promulgação dos apoios sociais aprovados no Parlamento.
Catarina Martins esteve hoje em videoconferência com o Presidente da República - Foto esquerda.net
Catarina Martins esteve hoje em videoconferência com o Presidente da República - Foto esquerda.net

No final da videoconferência com o Presidente da República, Catarina Martins falou à comunicação social e declarou que espera que este seja o último estado de emergência, pelo menos desta fase.

"Esperamos que seja possível manter o desconfinamento, que os números continuem numa rota de controlo. É isso que esperamos, que idealmente que este seja o último estado de emergência pelo menos nesta fase”, declarou a coordenadora bloquista, acrescentando que “sendo possível avançar com o desconfinamento, não tem sentido que o estado de emergência se prolongue indefinidamente”.

Preocupação com apoios sociais e económicos

A coordenadora manifestou preocupação sobre os apoios sociais que o parlamento aprovou e que aguardam promulgação pelo Presidente da República (PR).

Catarina Martins referiu que o Governo tem anunciado muitas medidas de apoio, mas depois impõe critérios que excluem muitos dos potenciais beneficiários e “acaba por nunca executar o orçamento que anuncia para apoio às famílias”. A coordenadora do Bloco sublinhou que o Parlamento aprovou alterações ao decreto do Governo para “alargar os critérios para que os trabalhadores a recibos verdes pudessem ter os apoios prometidos e também para alargar os critérios aos apoios à família”.

“Deixámos este apelo ao PR para que estes diplomas que vêm do parlamento para que haja mais apoios às famílias e mais apoios aos trabalhadores possam ser promulgados”, declarou Catarina Martins.

Moratórias que acabam a 31 de março devem ser prolongadas

A coordenadora do Bloco alertou ainda sobre as moratórias da Associação Portuguesa de Bancos (APB) que acabam no fim de março, na próxima quarta-feira.

“Um terço do crédito empresarial está em moratória, grande parte dos setores mais vulneráveis mais afetados pela pandemia, e uma em cada cinco famílias tem uma moratória que acaba no final deste mês”, destacou Catarina Martins, acrescentando que “as moratórias das famílias são em boa parte sobre o crédito à habitação”.

“Estamos aqui sobre uma autêntica bomba relógio de crédito mal-parado”, considerou Catarina Martins e declarou:

“É essencial proteger as famílias e as empresas e fazer a passagem destas moratórias da APB para as moratórias públicas, para estendê-las pelo menos até setembro”. Acrescentou ainda que depois são necessários planos de reestruturação e de pagamento destas dívidas.

“Não podemos aceitar que as famílias e as empresas tenham sido empurradas para as moratórias por falta de apoios e agora as moratórias acabem, em pleno estado de emergência, deixando as famílias e as empresas numa situação de crédito mal-parado, que é preocupante para toda a gente. É uma tragédia para cada família, para cada empresa, é uma tragédia para a economia como um todo e para o próprio sistema financeiro, para a própria banca”, declarou Catarina Martins.

Na próxima terça-feira, o Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, estará no parlamento a pedido do Bloco de Esquerda, feito há um mês, para falar sobre as moratórias.

“O apelo que fazemos é que o Governo atue rapidamente para proteger as famílias, as empresas que não podem ver as suas moratórias acabarem já na próxima quarta-feira”, reafirmou Catarina Martins.

Mariana Mortágua questionou hoje no twitter: “1/5 de todas as moratórias de crédito a habitação terminam dia 31. Porquê, se existe um regime público que termina em setembro?”

 

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