Catarina Martins marcou presença este sábado em Salvaterra de Magos na apresentação da candidatura bloquista à autarquia. O tema central da sua intervenção foi a pandemia que a coordenadora bloquista fez que questão de salientar “não está ainda ultrapassada”.
A dirigente do partido começou por comentar o anúncio feito pelo G7 de que “os países mais ricos do mundo” decidiram doar mil milhões de vacinas aos países mais pobres e que não têm dinheiro para as comprar. Para ela, “o número parece muito alto mas quando vemos a população mundial e a quantidade de países do mundo a que ainda não chegou nem uma vacina, sabemos que esta é uma gota no oceano”, sendo preciso “fazer muito mais coletivamente para combater a pandemia”.
O combate às novas variantes só é possível “com todo o mundo vacinado”. Daí a “exigência global de que toda a gente em todo o mundo tenha acesso à vacina porque toda a gente tem direito e porque essa é a única forma de todos nós estarmos seguros”.
Catarina Martins destacou a importância do processo de vacinação. Os seus avanços provam “que a vacina é um sucesso: quando vemos o número de mortes que diminui, quando sabemos que já não há mortes nos lares, sabemos que a vacina é muito importante”.
Contudo, expressou também preocupação pelo facto dos números dos contágios que em Portugal “infelizmente” estarem a aumentar nas últimas semanas. Se para os evitar é precisa “responsabilidade individual” com “comportamentos mais seguros”, esta “tem também de ser uma responsabilidade pública e coletiva”. Aí entra “uma matéria que tem demorado tanto a avançar e que é tão fundamental para controlar pandemia”, a testagem. A coordenadora do Bloco criticou a diminuição do número de testes realizados por semana: há 15 dias tinham sido feitos 325 mil testes numa semana, a semana passada só se realizaram 296 mil revelou.
Um número que fica muito aquém do “mais de meio milhão de testes por semana que Portugal podia e devia estar a fazer e que foram anunciados” e que contrasta com os sucessivos anúncios de que iriam começar programas de testagem massiva no país. O governo anunciou um programa destes para fevereiro, depois para março e em seguida para abril. “Estamos em junho e o número de testes tem vindo a diminuir”, assinala a deputada.
Para ela, a testagem faz parte “dessa obrigação coletiva de controlar a pandemia para podermos construir uma vida mais segura” e “não são anúncios que controlam a pandemia, “têm de ser medidas concretas”.
E foi por estas medidas concretas que terminou a sua intervenção. Elas passam, ao nível local, pela criação de condições de saúde, pelo apoio aos profissionais de saúde, pela testagem massiva no terreno mas também pela resposta à crise social, “apoiando o pequeno comércio e as pequenas empresas que não aguentam mais, que estão com a corda na garganta das moratórias e que precisam de soluções porque precisamos de proteger o emprego”.
É preciso ainda responder às crises “que já cá estavam”, nomeadamente a da habitação, através de um “parque público de habitação com rendas acessíveis garantisse que jovens famílias pudessem ficar aqui e não ir embora”, do apoio às “pessoas que têm menos recursos para fazer as obras nas suas casas para que não sejam tão frias no inverno e tão quentes no verão e para que pessoas que têm menos mobilidade não sejam obrigadas a ir para as soluções institucionalização quando deviam ter casas adaptadas”.
Outra das crises a que é preciso dar resposta é a crise ambiental e climática. Catarina Martins invocou a “tragédia dos incêndios”, face à qual é preciso “contrariar o despovoamento”, para “ter um território mais seguro”. “A emergência climática não é um mito nem está longe, está aqui e uma política responsável climaticamente é uma que cuida do território”, vincou.
E terminou revelando “preocupação” pela forma como os fundos para investimento no futuro “podem ser usados não para a reconstrução do país, não em nome do emprego, não em nome da habitação, não em nome do clima e do território mas em nome dos negócios de sempre do bloco central que aliás têm vindo a alimentar uma economia rentista que endivida o país e depois chega sempre a uma qualquer comissão de inquérito a dizer que não se lembra de nada do que fez”.
As candidaturas do Bloco nas autárquicas trazem também essa “exigência de transparência”, lembrou.