Europeias

Catarina acusa Marcelo de “irresponsabilidade” por promulgar à pressa “o que sabe que não pode funcionar”

04 de junho 2024 - 14:45

Candidata do Bloco às europeias afirma que o próprio Governo reconhece que os consulados não têm meios para dar resposta aos pedidos dos imigrantes e que a sua medida significa o regresso a um passado de má memória.

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Catarina Martins
Catarina Martins em campanha no Porto. Foto de Ana mendes

Numa iniciativa dedicada ao direito à habitação, Catarina Martins levou a campanha do Bloco para as europeias ao centro do Porto para se encontrar com a Associação de Moradores da Lapa e mostrar um “exemplo do pior que se tem feito”: trata-se de uma zona com vários terrenos públicos há 50 anos destinados à habitação, mas nos quais apenas foram construídos menos de 100 fogos por falta de investimento. “E eis senão quando a autarquia decide que os terrenos que são públicos podem ser utilizados não para habitação que é tão necessária no Porto, é tão necessária no país, mas para um gigantesco hotel, que por sinal é um hotel feito de vistos gold. São 160 vistos Gold num hotel gigantesco que cresce onde deviam existir casas”, explicou a candidata aos jornalistas.

“São todos os problemas que podem imaginar que estão juntos: em primeiro lugar, os vistos gold, que é a única forma, aliás, de porta escancarada à imigração” e contra os quais o Bloco se tem batido desde o início, alertando para os problemas associados à corrupção e branqueamento de capitais.

Imigração: “O Governo diz: ‘Nós não temos meios. E vamos piorar então tudo’. E o Presidente promulga”

Em declarações aos jornalistas, Catarina Martins foi ainda confrontada com a promulgação em tempo recorde da medida do Governo que vem impossibilitar aos imigrantes que já vivem e trabalham em Portugal solicitar a documentação para regularizarem a sua residência. “O Governo criou um problema enorme. O Governo diz: ‘nós não temos meios. E vamos piorar então tudo’. E o Presidente da República, que devia ser garante do funcionamento das instituições, promulga”, resumiu Catarina, considerando que Marcelo Rebelo de Sousa foi “absolutamente irresponsável”.

Mariana Mortágua

Proteger quem chega é proteger quem cá está

04 de junho 2024

Para a cabeça de lista do Bloco às europeias, “a proposta do Governo é “uma proposta errada, que cria um vazio legal. Ou seja, o que o Governo diz é: ‘Agora não sabemos o que é que vai acontecer. As pessoas para entrar têm que conseguir um papel nas embaixadas e consulados dos países de origem, que nós escrevemos no nosso documento que não têm meios para dar esse papel’”, prosseguiu Catarina, questionando em seguida: “Nós achamos mesmo que o país vai ficar melhor se nós deixarmos as pessoas indocumentadas no nosso país?”.

Para encontrar uma resposta essa questão basta recuar pouco mais de três décadas, mo tempo das grandes obras públicas em que “houve problemas grandes por haver tantos trabalhadores sem acesso à documentação”, o que obrigou a programas extraordinários de regularização de imigrantes. Agora, “aos 400 mil processos pendentes que nós já temos dos anos para trás, o Governo está a criar novos processos pendentes e está a criar mais situações de pessoas indocumentadas” e mais vulneráveis à exploração e à insegurança.

“Eu não sei se a ideia é utilizar o discurso xenófobo da extrema-direita para na última semana de campanha ter um discurso contra a imigração, acho um absurdo, acho errado e não tem nada a ver com o país que nós somos”, defendeu.

A tarde desta terça-feira de campanha será dedicada ao problema do alojamento estudantil com um encontro com estudantes, pois “as pessoas não podem escolher o curso que querem se não tiverem onde morar para poder ir estudar onde querem”, afirmou Catarina, defendendo que “Portugal não é o resort da Europa”, mas sim um país que “tem que ter respostas de habitação para quem aqui vive e aqui trabalha”.