“O plano da Moncloa triunfa, só espero que seja verdade e que assim possam sair todos da prisão. Porque senão, o ridículo histórico é histórico…”, disse Puigdemont ao deputado da ERC Toni Comín por mensagem telefónica. O conteúdo dos sms acabou por vir a público através do canal Tele 5, que filmou o deputado a consultar o seu telemóvel após ser conhecida a decisão do presidente do parlamento, também da ERC, de adiar a sessão da investidura.
Nesta sessão, os deputados da lista de Puigdemont (JxCat) pretendiam investir o ex-governante exilado na Bélgica na liderança do novo governo, delegando a sua intervenção noutro parlamentar da mesma bancada. Tratava-se de um desafio ao Tribunal Constitucional, que apenas admitia a investidura se Puigdemont estivesse presente no parlamento e com autorização de um juiz.
A decisão do presidente do parlamento, Roger Torrent, desagradou à bancada dos JxCat e mostrou o descontentamento da ERC pela forma como o processo de formação do novo governo está a decorrer. Segundo o El Periodico, os republicanos queixam-se de que não existe nenhuma preparação para o cenário de novo bloqueio judicial à tomada de posse do governo e nem sequer acordo sobre a composição do governo. O facto de Puigdemont não ter entregue à bancada da ERC uma cópia do seu discurso também foi mal recebida, até pelas implicações legais que ele teria para os deputados que já estão na prisão.

Fora do parlamento, milhares de manifestantes, muitos dos quais envergando máscaras com a cara de Puigdemont, preparavam-se para testemunhar mais um desafio dos deputados às ordens dos tribunais espanhóis. Mas tal como no dia em que foi aprovada - e logo suspensa - a decisão de criar a república catalã, o adiamento da sessão deixou muitos descontentes. Alguns manifestantes furaram o cordão policial e chegou a haver alguns confrontos com a polícia.
O clima político é de incerteza quanto aos próximos passos do processo independentista. Esta quarta-feira, o vice-presidente da Assembleia Nacional Catalã reúne com os líderes dos três partidos que compõem a maioria (JxCat, ERC e CUP). O líder parlamentar do JxCat já reafirmou a sua confiança em Puigdemont, apesar do efeito político da divulgação dos seus SMS em que também dizia ter sido “sacrificado” pelos seus apoiantes. O ex-governante já veio reconhecer ter tido “momentos de dúvida” mas afirma manter a mesma determinação de sempre na estratégia delineada após as eleições.
Sóc periodista i sempre he entès que hi ha límits, com la privacitat, que mai s’han de violar. Sóc humà i hi ha moments que també jo dubto. També sóc el President i no m’arronsaré ni em faré enrere, per respecte, agraïment i compromís amb els ciutadans i el país. Seguim!
— Carles Puigdemont (@KRLS) January 31, 2018